O presidente licenciado do PTB, deputado Roberto Jefferson (RJ), garantiu durante depoimento na tarde desta quinta-feira na CPI dos Correios que os pagamentos a deputados continuam a ser feitos numa agência do Banco Rural, no 9º andar do Brasília Shopping, na capital federal.
- Ali têm sido operados os pagamentos, desde que eles não puderam mais ser feitos com as malas - afirmou. Segundo o deputado, saques por assessores de deputados estão sendo feitos em valores entre R$ 30 mil e R$ 50 mil.
Jefferson começou seu depoimento à CPI acusando o PT de tentar proteger e evitar investigações sobre o publicitário Marcos Valério de Souza, apontado como operador do suposto mensalão. O deputado referiu-se a ele como "versão moderna e macaqueada do PC Farias", em referência ao tesoureiro da campanha do ex-presidente Fernado Collor, pivô do escândalo de corrupção e tráfico de influência. O deputado, acusado de comandar o esquema de arrecadação de propinas nos Correios, atacou também a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), que segundo ele é a verdadeira mandante da gravação feita na estatal.
- Um partido que até ontem fazia da acusação a sua afirmação de luta. Do libelo pessoal contra pessoas a escada para subir, do cadáver de homens, troféus a ostentar para a opinião pública. Duro é quando esses cadáveres começam a repousar no nosso colo e os fantasmas que eles representam a assombrar nossas bandeiras, nossas lutas - disse Jefferson.
- Como advogado do presidente Fernando Collor tentei impedir que uma CPI como esta investigasse os fantasmas do PC Farias. Agora, os fantasmas se materializaram em Delúbio Soares e Marcos Valério. Os que viveram a glória no passado agora vivem o opróbrio que vivi. Os que no passado caçaram fantasmas agora se abraçam com eles - disse.
E fez um trocadilho:
- Se PC Farias, e fez, hoje Delúbio e Marcos Valério fazem e outros virão e farão também - disse.
O deputado reafirmou as denúncias já feitas contra o Banco do Brasil:
- Tem que procurar o Banco do Brasil também porque me recordo que os recursos que recebi do Delúbio e do Pereira havia também notas do BB - denunciou.
O deputado fez questão de incluir o tema "mensalão" na CPI, assunto que o governo e o PT querem que manter distante da investigação. O relator Osmar Serraglio chegou a dizer que não aprofundaria o tema alegando que o assunto não faz parte do "fato determinado" da CPI, que é investigar o suposto esquema de corrupção nos Correios.
- Tecnicamente me abstive de qualquer questionamento - disse o relator - Não significa que tenhamos receio de mais para frente adentrar neste assunto - ressaltou Serraglio.
Durante as inquirições dos parlamentares, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu se tornou um dos principais alvos do depoimento de Roberto Jefferson. Jefferson responsabiliza Dirceu pelo envolvimento, ao lado do secretário-geral do PT, Silvio Pereira, pelo aparelhamento das estatais, nomeando aliados para o comando de empresas, mas dominando o restante das funções.
- Era assim que funcionava: toda estrutura era montada com o Silvio Pereira e o martelo batido com Dirceu. Foi assim com todos os cargos que o PTB nomeou: o PT dava a cabeça e tomava o corpo. Era a maneira que o Silvio Pereira dizia que o PT tinha para governar - afirmou Jefferson.
O deputado confirmou ainda que o mensalão influenciou o processo de escolha para as presidências do Senado e da Câmara, ocorrido no início do ano.
- O mensalão influenciou, pois desagregou os partidos da base do governo. Eu avisei o presidente que Luiz Eduardo Greenhalgh era um homem fraco politicamente, não moralmente. Ele chegava aqui e não dava cumprimentava ninguém e depois que concorreu passou a fazer isso. O Lula não quis mudar de candidato, e mesmo assim eu votei com o governo. Foi então que autorizei os deputados do PTB a votarem no Severino C