O presidente do PTB, Roberto Jefferson, afirmou nesta segunda-feira que os ministros José Dirceu, da Casa Civil, e Antonio Palocci, da Fazenda, sabiam do pagamento da "mesada" de R$ 30 mil a parlamentares, distribuída pelo tesoureiro do partido, Delúbio Soares, em troca de apoio no Congresso. Segundo ele, o pagamento só deixou de ser feito quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficou sabendo. A crise decorrente das denúncias levou a um pedido de CPI que o governo pretendia enterrar nesta semana - agora, Jefferson diz que defende e quer a investigação.
Ele afirmou que Dirceu soube no início do ano passado:
- O Zé deu um soco na mesa: 'O Delúbio está errado. Isso não pode acontecer. Falei para não fazer'. Eu pensei: vai acabar, mas continuou - disse Jefferson na entrevista.
Segundo ele, Lula chorou ao saber do fato no início deste ano, dizendo que isso não era possível. Para o presidente do PTB, a queda de braço e a dificuldade de o governo obter apoio é por causa de um aumento no 'mensalão', de R$ 30 mil para R$ 50 mil a R$ 60 mil, conforme pedem os deputados.
Segundo Jefferson, os deputados Bispo Rodrigues e Waldemar Costa Neto, do PL, e Pedro Henry, do PP, teriam pressionado o deputado José Múcio Monteiro (PTB) a aceitar o pagamento. Jefferson disse que a suspensão do mensalão explica parte das dificuldades do governo em aprovar seus projetos no Congresso:
- É mais barato pagar o exército mercenário do que dividir poder. É mais fácil alugar um deputado do que discutir um projeto de governo. É por isso. Quem é pago não pensa.
Jefferson vinha evitando falar com a imprensa nos últimos dias, devido às denúncias de corrupção nos Correios e no Instituto de Resseguros do Brasil (IRB), envolvendo funcionários indicados pelo PTB. O deputado teria dado a declaração à imprensa por sentir-se abandonado pelo governo. Segundo ele, a propina mensal começou a ser paga em 2003.
Em entrevista ao jornal Bom Dia Brasil, da TV Globo, na manhã desta segunda-feira, o presidente do PT, José Genoino, negou que o partido tivesse qualquer conhecimento quanto aos atos de corrupção denunciados pela entrevista do presidente do PTB, Roberto Jefferson, à editora Renata Lo Prete, da Folha de S. Paulo.
O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, solicitou cadeia nacional de rádio e televisão nesta segunda-feira para falar sobre o combate do governo à corrupção.
As denúncias de corrupção nos Correios e no Instituto de Resseguros do Brasil (IRB), envolvendo o nome do presidente do PTB, Roberto Jefferson, mostram que o chefe do Departamento de Contratação e Administração de Material, Maurício Marinho, foi flagrado cobrando propina de fornecedores interessados em participar de processo de licitação para venda de equipamentos de informática. Marinho, indicado pelo PTB, deixou claro, segundo as fitas gravadas pelos próprios empresários, que agia em nome de Jefferson.
Depois de assinar e dias depois de retirar seu nome da lista de parlamentares a favor da CPI dos Correios no Congresso, Roberto Jefferson disse no domingo que a instalação da comissão é "fundamental" para a sua imagem e de seu partido:
- Sim. Eu preciso (da CPI). Eu errei. Eu não deveria ter recuado, não deveria ter recuado.