Rio de Janeiro, 19 de Maio de 2026

Jefferson confirma denúncia contra Furnas e diretores são afastados

Sexta, 01 de Julho de 2005 às 07:58, por: CdB

No depoimento à CPI dos Correios que se estendeu até a madrugada desta sexta-feira, o deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) confirmou as denúncias de desvio de R$ 3 milhões da estatal Furnas Centrais Elétricas publicadas, na quinta, pelo jornal Folha de S.Paulo. Ao mesmo tempo em que ocorria o depoimento, foi divulgado o afastamento dos três diretores da empresa envolvidos nas denúncias.

Segundo Jefferson, o diretor de engenharia da empresa, Dimas Toledo, explicou a ele que o dinheiro era distribuído entre a direção nacional do PT, que ficava com R$ 1 milhão; a direção do PT em Minas Gerais, que também recebia R$ 1 milhão; um grupo de deputados, que ficavam com R$ 500 mil; e a própria diretoria, que recebia os R$ 500 mil restantes. A resistência do governo em substituir o funcionário por outro indicado pelo PTB e o cancelamento de uma assembléia da empresa foram ressaltados por Jefferson.

Jefferson também garantiu que os pagamentos a deputados, o chamado  mensalão, continuam a ser feitos numa agência do Banco Rural, no 9º andar do Brasília Shopping, na capital federal. Segundo ele, saques por assessores de deputados estão sendo feitos em valores entre R$ 30 mil e R$ 50 mil.

- Ali têm sido operados os pagamentos, desde que eles não puderam mais ser feitos com as malas.

Jefferson começou seu depoimento à CPI acusando o PT de tentar proteger e evitar investigações sobre o publicitário Marcos Valério de Souza, apontado como operador do suposto mensalão. O deputado referiu-se a ele como "versão moderna e macaqueada do PC Farias", em referência ao tesoureiro da campanha do ex-presidente Fernado Collor, pivô do escândalo de corrupção e tráfico de influência. O deputado, acusado de comandar o esquema de arrecadação de propinas nos Correios, atacou também a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), que segundo ele é a verdadeira mandante da gravação feita na estatal.

E fez um trocadilho:

- Se PC Farias, e fez, hoje Delúbio e Marcos Valério fazem e outros virão e farão também - disse.

O deputado reafirmou as denúncias já feitas contra o Banco do Brasil:

- Tem que procurar o Banco do Brasil também porque me recordo que os recursos que recebi do Delúbio e do Pereira havia também notas do BB.

O deputado fez questão de incluir o tema "mensalão" na CPI, assunto que o governo e o PT querem que manter distante da investigação. O relator Osmar Serraglio chegou a dizer que não aprofundaria o tema alegando que o assunto não faz parte do "fato determinado" da CPI, que é investigar o suposto esquema de corrupção nos Correios.

Durante as inquirições dos parlamentares, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu se tornou um dos principais alvos do depoimento de Roberto Jefferson. Jefferson responsabiliza Dirceu pelo envolvimento, ao lado do secretário-geral do PT, Silvio Pereira, pelo aparelhamento das estatais, nomeando aliados para o comando de empresas, mas dominando o restante das funções. 

- Era assim que funcionava: toda estrutura era montada com o Silvio Pereira e o martelo batido com Dirceu. Foi assim com todos os cargos que o PTB nomeou: o PT dava a cabeça e tomava o corpo. Era a maneira que o Silvio Pereira dizia que o PT tinha para governar - afirmou Jefferson.

O deputado confirmou ainda que o mensalão influenciou o processo de escolha para as presidências do Senado e da Câmara, ocorrido no início do ano. 

- O mensalão influenciou, pois desagregou os partidos da base do governo. Eu avisei o presidente que Luiz Eduardo Greenhalgh era um homem fraco politicamente, não moralmente.

Ele chegava aqui e não dava cumprimentava ninguém e depois que concorreu passou a fazer isso. O Lula não quis mudar de candidato, e mesmo assim eu votei com o governo. Foi então que autorizei os deputados do PTB a votarem no Severino Cavalcanti, mas que eles fossem transparentes, para não d

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