Presidente do PTB e um dos pivôs da crise política que mobilizou o governo na última semana, Roberto Jefferson volta às manchetes do diário paulista Folha de S. Paulo, que traz em sua edição deste domingo um novo capítulo de denúncias contra o alto comando petista. À jornalista Renata Lo Prete, editora da coluna Painel, mesmo depois de anunciar a sua disposição de voltar ao assunto somente na comissão de sindicância da Câmara e na CPI, Jefferson revelou, na noite desta sexta-feira, mais detalhes sobre o "mensalão". Mas, segundo Lo Prete, Jefferson garante que não tem "gravações comprometedoras contra autoridades do governo, contrariando os rumores que tomaram conta de Brasília ao longo da semana.
- Se você perguntar: 'Tem prova? Fotografou? Gravou?'. Não. Mas era conversa cotidiana na Câmara. Tenho a palavra e a vivência desta relação de dois anos e meio com o governo do PT - disse ele.
Segundo o deputado petebista, as mesadas de R$ 30 mil pagas a deputados de outros partidos da base aliada, eram patrocinadas por estatais e empresas privadas. O dinheiro, disse Jefferson à Folha, "chegava a Brasília 'em malas' para ser distribuído em ação comandada pelo tesoureiro petista, Delúbio Soares, com a ajuda de 'operadores' como o publicitário Marcos Valério e o líder do PP na Câmara, José Janene (PP-PR)".
Na entrevista, Jefferson protege Lula, a quem nada teria sido relatado até uma conversa com o próprio deputado no início deste ano, quando a mesada parou de seguir aos deputados denunciados por pertencer ao esquema das mesadas:
- O corpo mole (dos deputados) é porque está faltando aquilo que o Delúbio sempre transferiu a líderes e presidentes da base.
O ministro José Dirceu, junto com o presidente do PT, José Genoino, o tesoureiro do partido, Delúbio Soares, e os integrantes da Executiva Nacional Silvio Pereira e Marcelo Sereno foram os alvos de Jefferson. Ele narrou à editora as reuniões mantidas com a alta cúpula petista para discutir nomeações em cargos públicos em uma sala "reservada ao Silvio Pereira" ao lado do gabinete de Dirceu no Palácio do Planalto.
Embora tenha aceitado a proteção policial oferecida após pedidos de deputados do PFL, Jefferson disse à jornalista, por telefone, que não teme por sua segurança:
- Se fizerem alguma coisa comigo, cai a República.
A entrevista
Leia trechos da entrevista publicada na edição deste domingo do diário paulista Folha de S. Paulo:
"Esse dinheiro [do 'mensalão'] chega a Brasília, pelo que sei, em malas. Tem um grande operador que trabalha junto do Delúbio [tesoureiro do PT], chamado Marcos Valério, que é um publicitário de Belo Horizonte. É ele quem faz a distribuição de recursos."
"José Janene [líder do PP] é um dos operadores.Ele vai na fonte, pega, vem."
"Foi pedida ao PTB, pelo Genoino [José Genoino, presidente do PT] e pelo Delúbio, uma planilha de campanhas a prefeito que o PT financiaria para nós. Apresentamos uma planilha de R$ 20 milhões. Esse recurso foi aprovado pelos dois e pelo Marcelo Sereno."
"Achei que ele [Delúbio Soares, tesoureiro do PT] foi fraco. Não teve como enfrentar a imprensa. O Genoino parecia um cão de guarda. A meu ver, Delúbio não convenceu."
"Acho que os ministros traíram a confiança do presidente. Só eles não tinham dimensão da explosão que isso [a denúncia sobre o 'mensalão'] iria provocar?"
"Noventa por cento das conversas eram no palácio [do Planalto], numa salinha reservada ao Silvio Pereira [secretário-geral do PT]. De vez em quando o Delúbio [Soares, tesoureiro do PT] metia a mão na porta, entrava, sentava, conversava e saía. O Zé Dirceu [ministro da Casa Civil] também. O [José] Genoino [presidente do PT] também."
"Não temo, não. Depois do que eu já disse, se fizerem alguma coisa comigo, cai a República. Creio em Deus. Rezo. E estou muito seguro de que estou