Rio de Janeiro, 22 de Maio de 2026

Jefferson confessa não ter provas sobre "mensalão"

À jornalista Renata Lo Prete, editora da coluna Painel, mesmo depois de anunciar a sua disposição de voltar ao assunto somente na comissão de sindicância da Câmara e na CPI, Jefferson revelou, na noite desta sexta-feira, mais detalhes sobre o "mensalão". Mas, segundo Lo Prete, Jefferson garante que não tem "gravações comprometedoras contra autoridades do governo", contrariando os rumores que tomaram conta de Brasília ao longo da semana. (Leia Mais)

Sábado, 11 de Junho de 2005 às 16:00, por: CdB

Presidente do PTB e um dos pivôs da crise política que mobilizou o governo na última semana, Roberto Jefferson volta às manchetes do diário paulista Folha de S. Paulo, que traz em sua edição deste domingo um novo capítulo de denúncias contra o alto comando petista. À jornalista Renata Lo Prete, editora da coluna Painel, mesmo depois de anunciar a sua disposição de voltar ao assunto somente na comissão de sindicância da Câmara e na CPI, Jefferson revelou, na noite desta sexta-feira, mais detalhes sobre o "mensalão". Mas, segundo Lo Prete, Jefferson garante que não tem "gravações comprometedoras contra autoridades do governo, contrariando os rumores que tomaram conta de Brasília ao longo da semana.

- Se você perguntar: 'Tem prova? Fotografou? Gravou?'. Não. Mas era conversa cotidiana na Câmara. Tenho a palavra e a vivência desta relação de dois anos e meio com o governo do PT - disse ele.

Segundo o deputado petebista, as mesadas de R$ 30 mil pagas a deputados de outros partidos da base aliada, eram patrocinadas por estatais e empresas privadas. O dinheiro, disse Jefferson à Folha, "chegava a Brasília 'em malas' para ser distribuído em ação comandada pelo tesoureiro petista, Delúbio Soares, com a ajuda de 'operadores' como o publicitário Marcos Valério e o líder do PP na Câmara, José Janene (PP-PR)".

Na entrevista, Jefferson protege Lula, a quem nada teria sido relatado até uma conversa com o próprio deputado no início deste ano, quando a mesada parou de seguir aos deputados denunciados por pertencer ao esquema das mesadas:

- O corpo mole (dos deputados) é porque está faltando aquilo que o Delúbio sempre transferiu a líderes e presidentes da base.

O ministro José Dirceu, junto com o presidente do PT, José Genoino, o tesoureiro do partido, Delúbio Soares, e os integrantes da Executiva Nacional Silvio Pereira e Marcelo Sereno foram os alvos de Jefferson. Ele narrou à editora as reuniões mantidas com a alta cúpula petista para discutir nomeações em cargos públicos em uma sala "reservada ao Silvio Pereira" ao lado do gabinete de Dirceu no Palácio do Planalto.

Embora tenha aceitado a proteção policial oferecida após pedidos de deputados do PFL, Jefferson disse à jornalista, por telefone, que não teme por sua segurança:

- Se fizerem alguma coisa comigo, cai a República.

A entrevista

Leia trechos da entrevista publicada na edição deste domingo do diário paulista Folha de S. Paulo:

"Esse dinheiro [do 'mensalão'] chega a Brasília, pelo que sei, em malas. Tem um grande operador que trabalha junto do Delúbio [tesoureiro do PT], chamado Marcos Valério, que é um publicitário de Belo Horizonte. É ele quem faz a distribuição de recursos."

"José Janene [líder do PP] é um dos operadores.Ele vai na fonte, pega, vem."

"Foi pedida ao PTB, pelo Genoino [José Genoino, presidente do PT] e pelo Delúbio, uma planilha de campanhas a prefeito que o PT financiaria para nós. Apresentamos uma planilha de R$ 20 milhões. Esse recurso foi aprovado pelos dois e pelo Marcelo Sereno."

"Achei que ele [Delúbio Soares, tesoureiro do PT] foi fraco. Não teve como enfrentar a imprensa. O Genoino parecia um cão de guarda. A meu ver, Delúbio não convenceu."

"Acho que os ministros traíram a confiança do presidente. Só eles não tinham dimensão da explosão que isso [a denúncia sobre o 'mensalão'] iria provocar?"

"Noventa por cento das conversas eram no palácio [do Planalto], numa salinha reservada ao Silvio Pereira [secretário-geral do PT]. De vez em quando o Delúbio [Soares, tesoureiro do PT] metia a mão na porta, entrava, sentava, conversava e saía. O Zé Dirceu [ministro da Casa Civil] também. O [José] Genoino [presidente do PT] também."

"Não temo, não. Depois do que eu já disse, se fizerem alguma coisa comigo, cai a República. Creio em Deus. Rezo. E estou muito seguro de que estou

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