O presidente deposto do Haiti, Jean-Bertrand Aristide, pediu na terça-feira sua recondução à liderança do país caribenho e um diálogo nacional para abrir o caminho para eleições livres e justas.
Aristide acusou os Estados Unidos, a França e outros a quem ele responsabiliza por sua expulsão de instigar um "holocausto negro" no Haiti e de terem uma política racista.
Em uma rara entrevista coletiva no seu exílio na África do Sul, Aristide pediu o fim da repressão que, segundo ele, já matou milhares de pessoas no ano último ano.
- As contínuas manifestações pacíficas pedindo meu retorno e a restauração da ordem constitucional precisam ser ouvidas. A população votou por um presidente e o quer de volta. Eu os apóio porque é justo - disse Aristide.
- Milhares de Lavalas (membros do partido de Aristide) que estão na cadeia e no exílio precisam ser liberados a voltar para casa. A repressão que já matou mais de 10 mil pessoas precisa terminar imediatamente. Então, é necessário um diálogo nacional.
Ele foi forçado a deixar o Haiti há 14 meses em meio a uma rebelião armada e sob pressão de Washington e Paris.
Aristide disse que sua expulsão, vista por ele como um golpe, não conseguiu trazer de volta a paz e que seu país de 8 milhões de habitantes ainda está sofrendo 200 anos após a independência.
No fim de semana, funcionários do Conselho de Segurança da ONU disseram que viam favoravelmente um pedido do Haiti por mais forças de manutenção de paz.
Mas embaixadores expressaram sua preocupação sobre as fortes divisões entre os numerosos partidos políticos haitianos antes das eleições programadas para novembro.
O conselho pressionou o governo interino do Haiti a manter o cronograma da eleição e a tomar uma posição mais dura contra a violência por grupos armados em partes do país, alguns deles acusados de serem leais a Aristide.
Aristide disse querer eleições livres, justas e democráticas organizadas num ambiente no qual a maioria dos haitianos não estivesse excluída ou oprimida "como é o caso hoje".
- A ONU foi ao Haiti e escutou as vozes do nosso povo, 8 milhões delas. Eles querem a restauração da paz e um processo de inclusão como o que tivemos aqui na África do Sul em 1994. A África do Sul não poderia ter tido eleições livres e justas se Nelson Mandela e outros estivessem ainda na prisão ou no exílio - disse.
O primeiro-ministro interino Gerard Latortue disse a embaixadores visitantes no sábado que seu governo faria as eleições no tempo previsto, mas afirmou que mais policiamento internacional seria necessário para garantir a segurança durante a campanha.
Jean-Bertrand Aristide quer voltar ao poder no Haiti
Terça, 19 de Abril de 2005 às 12:22, por: CdB