Rio de Janeiro, 14 de Setembro de 2026

Javier Bardem fica feliz por não ser reconhecido nos EUA

Segunda, 13 de Dezembro de 2004 às 21:09, por: CdB

Há uma coisa relativa aos Estados Unidos que o ator espanhol Javier Bardem realmente adora: poucas pessoas o reconhecem.

"Graças a Deus", diz ele. "Gosto muito disso."

Mas para o ator, que é um grande astro na Espanha e já foi várias vezes premiado por seu trabalho, o anonimato nos EUA pode terminar quando a produção espanhola "Mar Adentro" estrear nos cinemas americanos, este mês.

Bardem, 35 anos, não é inteiramente desconhecido na América. Ele foi indicado para o Globo de Ouro e o Oscar pelo papel do escritor e ativista cubano Reinaldo Arenas em "Antes do Anoitecer", de 2000.

Mesmo assim, ele raramente é reconhecido nas ruas ou locais públicos, fato que diz gostar porque o ajuda em seu trabalho. Além disso, Bardem diz que não está muito preocupado em fazer sucesso em Hollywood porque não faltam bons papéis para ele na Espanha.

Em "Mar Adentro", Bardem representa um tetraplégico que quer pôr fim à própria vida, mas é impedido de fazê-lo pela legislação espanhola.

O papel lhe valeu o troféu de melhor ator do Festival de Cinema de Veneza, em setembro, e o filme foi considerado o melhor do ano em língua estrangeira pelo grupo de críticos americanos The National Board of Review. "Mar Adentro" faz parte dos filmes obrigatórios a serem vistos pelos eleitores do Oscar, a premiação mais importante do cinema norte-americano, cujos troféus serão entregues em fevereiro.

ATUANDO COM OLHOS E PALAVRAS

O filme é baseado na história verídica de Ramon Sampedro (Bardem), que ficou tetraplégico num acidente de mergulhou e combateu o sistema legal durante 30 anos pelo direito de morrer.

O personagem passa quase o filme inteiro confinado à cama. Bardem só pode usar os olhos, a fala e movimentos da cabeça para transmitir os sentimentos de Sampedro.

"Não é tão difícil quanto parece", disse ele. "É uma questão de respirar fundo, relaxar o corpo e deixar que o peso do corpo se dissipe." Ele conta que infundiu emoção aos olhos e às palavras de Sampedro.

"Mar Adentro" acaba virando uma discussão dos prós e contras do suicídio assistido. O filme suscitou uma discussão do assunto na Espanha, e Bardem gostaria que fizesse o mesmo em todos os países onde for exibido.

O ator não tem um histórico de envolvimento em ativismo ou política, embora boa parte de seu trabalho em filmes vistos fora da Espanha possa levar o público a pensar o contrário.

Javier Bardem cresceu numa família de atores e cineastas e começou a atuar ainda criança. Depois de integrar o elenco de "As Idades de Lulu", em 1990, ele conseguiu um papel pequeno em "De Salto Alto", de Pedro Almodóvar.

"Jamón, Jamón", de 1992, lhe deu seu primeiro papel de destaque. Ele já foi indicado seis vezes para o prêmio Goya, o mais importante do cinema espanhol, e já ganhou três vezes.

Além de "Antes do Anoitecer", o papel de Bardem mais notado pelo público americano até agora foi em "Guerrilha Sem Face" ("The Dancer Upstairs"), de 2002, sobre o movimento guerrilheiro peruano Sendero Luminoso. Ele representa um investigador honesto no meio de um governo corrupto.

Bardem diz que não tem preferência por filmes políticos, mas que gosta de filmes que levem as pessoas a falar francamente de assuntos polêmicos, como é o caso de "Mar Adentro".

Para ele, o trabalho do ator é entreter o público, e ele é a favor do bom entretenimento fornecido por Hollywood.

Outro papel recente dele foi na produção americana "Colateral". Mas muitos espectadores talvez não o tenham reconhecido no papel de traficante, contracenando com Tom Cruise.

"Mar Adentro" estréia nos cinemas dos Estados Unidos em 17 de dezembro.

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