Lealdade, disciplina, bravura. Esses são os princípios que o coronel Koichiro Bansho, comandante do primeiro grande contingente de soldados japoneses enviado ao Iraque, diz que deseja inspirar em seus subordinados, que partem para realizar a mais arriscada missão militar do país desde a Segunda Guerra Mundial (1939-45).
"Primeiramente, fazer nosso melhor para os interesses públicos e realizar adequadamente a missão que nos foi dada pela nação. Em segundo lugar, uma coragem verdadeira. Em terceiro, disciplina", disse Bansho nesta quinta-feira, ao falar sobre as instruções dadas a seus soldados.
"Finalmente, que ajam de uma forma a não envergonhar a população do Iraque, a população mundial e a população japonesa e seus sucessores nos próximos 50 ou 100 anos", afirmou o militar em uma entrevista concedida no complexo do Ministério de Defesa em Tóquio.
"Acho que esse é o significado do 'espírito de samurai"', afirmou, explicando o uso feito por ele da palavra "bushido", que se refere não apenas ao espírito de luta, mas também à lealdade a seu senhor, devoção a seu dever e coragem para sacrificar sua vida.
Para um país cuja política de defesa tem sido limitada há quase seis décadas por uma Constituição pacifista e assombrada pelas memórias da Segunda Guerra, o envio de cerca de 550 soldados para colaborar na reconstrução do Iraque marca uma mudança importante.
A operação militar dividiu a opinião pública japonesa e transformou-se em um dos temas da campanha eleitoral que antecede o pleito de 11 de julho, para o Senado.
Os soldados japoneses ficarão na região da cidade de Samawa, onde um militar holandês foi morto no mês passado. Segundo analistas, eventuais baixas entre os militares do país asiático poderiam minar o apoio da opinião pública à missão. Nenhum integrante das Forças Armadas do Japão morre em combate desde 1945.