Rio de Janeiro, 08 de Setembro de 2026

Japonês convoca eleições para aprovar remédio amargo contra estagnação

Terça, 18 de Novembro de 2014 às 11:02, por: CdB
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Abe espera receber a aprovação dos japoneses para mudanças nos rumos da economia
O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, disse nesta terça-feira que vai convocar eleições antecipadas em busca de aprovação para suas políticas econômicas e adiar um impopular aumento do imposto sobre vendas, um dia depois de dados revelaram que a economia voltou à recessão. A terceira maior economia do mundo encolheu de forma inesperada pelo segundo trimestre consecutivo entre julho e setembro, sinal de que o impacto de um aumento inicial de 5 para 8% nos impostos sobre vendas em abril durou mais do que o esperado. Abe afirmou que irá postergar por 18 meses um segundo aumento para 10% que estava marcado para entrar em vigor em outubro de 2015, e acrescentou que irá dissolver a câmara baixa do Parlamento em 21 de novembro para realizar uma votação em até 40 dias – a eleição deve acontecer em 14 de dezembro. O premiê, que retornou ao poder em dezembro de 2012 depois de uma passagem curta e turbulenta pelo cargo entre 2006 e 2007 e que prometeu ressuscitar o crescimento com uma mistura radical de política monetária ultraexpansionista, gastos e reformas, insistiu que suas políticas estão funcionando e desafiou a oposição a oferecer uma alternativa. – Esta é a única maneira de pôr fim à deflação e recuperar a economia. Estou ciente de que os críticos dizem que a 'Abenomics' (como ficou conhecida sua política) é um fracasso e que não está funcionando, mas não ouvi uma ideia concreta sobre que outra coisa fazer... nossas políticas econômicas estão equivocadas ou corretas? Há outra opção? – questionou, em uma coletiva de imprensa televisionada. Mas Abe prometeu que o aumento nos impostos sobre vendas, necessário para arcar com os custos crescentes da seguridade social e conter a dívida pública gigantesca do Japão, será implementado sem falta em abril de 2017. Abe quer renovar seu mandato no momento em que as dúvidas sobre o sucesso de sua estratégia se aprofundam. Não seria preciso realizar eleições para a câmara baixa do Parlamento até o final de 2016, mas Abe conta com elas para afirmar sua liderança antes que seu índice de aprovação, hoje abaixo dos 50% em algumas pesquisas mas robusto pelos padrões japoneses, caia ainda mais. O apoio ao líder sofreu um golpe em função de escândalos de financiamento em seu gabinete no mês passado, e no ano que vem espera-se que ele aborde políticas impopulares, como o religamento dos reatores nucleares da usina de Fukushima, que sofreram vazamentos após o tsunami de 2011. Críticos dizem que a ‘Abenomics’ beneficiou grandes empresas e moradores ricos das grandes cidades ao enfraquecer o iene, a moeda local, e fortalecer o mercado de ações, mas que os japoneses comuns têm sido prejudicados porque a inflação ultrapassou os aumentos de salários. Mais cedo, depois de se reunir com seus conselheiros econômicos, Abe declarou a repórteres que o consumo está freando, apesar de outros sinais positivos, e que irá preparar medidas de estímulo, especialmente para empresas e regiões menores.
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