O Japão divulgou, nesta segunda-feira, a maior queda no índice de confiança empresarial em três décadas, enquanto a produção industrial na China registrou a taxa de crescimento mais fraca desde 1999, sinais mais recentes dos danos causados às economias asiáticas pela crise global. Mas os mercados asiáticos tiveram uma sessão de alta apesar dos dados negativos, puxados pelas expectativas de que a Casa Branca possa agir para evitar o colapso das três maiores montadoras de veículos dos Estados Unidos.
O presidente norte-americano, George W. Bush, disse, entretanto, que a possibilidade de liberação de um pacote de ajuda para o setor ainda não está fechada.
– Nós não estamos prontos ainda para anunciar isso – disse o presidente a repórteres, abordo do avião presidencial Air Force One, durante um vôo entre o Iraque e o Afeganistão.
Baixa confiança
A pesquisa Tankan do Banco do Japão mostrou que o nível de confiança das grandes empresas caiu para uma leitura negativa de 24 pontos, levemente pior do que o esperado, ante leitura negativa de 3 pontos no trimestre passado. Essa foi a maior queda do índice registrada desde a crise do petróleo da década de 1970 e a pior perspectiva desde 2002, quando o Japão estava se recuperando de uma queda após uma crise bancária.
A pesquisa de dezembro aponta para uma piora do cenário econômico.
– A extensão da perspectiva de piora para março é um pouco chocante. Está difícil de prever o fundo do atual ciclo econômico – disse Susumu Kato, economista-chefe da Calyon Capital Markets Japan.
O presidente do Banco do Japão, Masaaki Shirakawa, disse ao Financial Times que a economia japonesa deve se contrair durante o próximo exercício, até março de 2010. O banco central japonês havia previsto anteriormente uma modesta recuperação de 0,6 por cento de crescimento para o próximo ano fiscal.
China desacelera
Na China, a maior economia emergente da Ásia, ainda é esperado um crescimento robusto, apesar da desaceleração global. Mas o crescimento anual da produção industrial no país desacelerou para 5,4% em novembro, a taxa mais fraca em ao menos nove anos para um mês sem feriados. Em outubro, a taxa de expansão havia sido de 8,2%, informou a agência nacional de estatísticas chinesa.
A mediana das estimativas de 26 economistas consultados pela Reuters apontavam para um crescimento em novembro de 7,1 por cento.
No setor financeiro, onde empréstimos de qualidade ruim foram a raiz da crise global, a lista de bancos com exposição à alegada fraude de US$ 50 bilhões do operador de Wall Street Bernard Madoff cresceu. Matéria do financial Times disse que o HSBC Holdings deve ser uma das principais vítimas, com exposição potencial de US$ 1 bilhão.