Rio de Janeiro, 06 de Setembro de 2026

Japão se desculpa por atrocidades cometidas na guerra

O primeiro ministro Junichiro Koizumi pediu desculpas na sexta-feira pelas atrocidades cometidas pelo Japão nos tempos de guerra e disse que vai se reunir com o presidente chinês Hu Jintao na tentativa de melhorar as relações, que estão no pior momento em décadas. (Leia Mais)

Sexta, 22 de Abril de 2005 às 06:33, por: CdB

O primeiro ministro Junichiro Koizumi pediu desculpas na sexta-feira pelas atrocidades cometidas pelo Japão nos tempos de guerra e disse que vai se reunir com o presidente chinês Hu Jintao na tentativa de melhorar as relações, que estão no seu pior momento em três décadas.

Koizumi, falando depois de pedir desculpas diante de líderes mundiais durante um fórum multilateral, disse que se reuniria com Hu neste sábado nos intervalos do encontro da cúpula Ásia-África em Jacarta.

Entretanto, a China não confirmou a reunião.

- Não podemos confirmar. Os ministérios das Relações Exteriores dos dois países ainda estão conversando - disse Kong Quan, porta-voz do ministério chinês.

- Nada é criado pelo antagonismo", disse Koizumi a repórteres.

- A amizade é mais importante. Eu gostaria que o encontro fosse feito a partir desta perspectiva -ressaltou. 

Em um discurso na cúpula, Hu não mencionou o Japão, mas prometeu que a China seria uma defensora dos países em desenvolvimento.

As relações entre as duas potências asiáticas atingiram seu pior momento em décadas depois de violentos protestos na China contra livros escolares de história que, segundo críticos, amenizam o passado de guerra japonês.

O desentendimento coloca em risco relações comerciais na casa de 212 bilhões de dólares anuais.

Falando a líderes de cem países asiáticos e africanos, Koizumi pediu desculpas pelos "muitos danos e sofrimento" causados pelo Japão.

- No passado o Japão, com seu domínio colonial e agressões, causou muitos danos e sofrimento aos povos de muitos países, principalmente os países asiáticos - disse Koizumi na sessão de abertura do encontro de cúpula.

- O Japão encara estes fatos da história em um espírito de humildade - disse o primeiro-ministro, acrescentando que o povo japonês tem gravado em suas mentes "sentimentos de profundo remorso e de desculpas sinceras." O pedido de desculpas espelha declarações anteriores do governo japonês, mas uma admissão diante de líderes estrangeiros é um fato raro.

Milhares de pessoas fizeram manifestações em cidades da China nas últimas três semanas, em protestos violentos contra os livros japoneses e contra a campanha do governo japonês para conseguir um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU.

A disputa tem irritado os países asiáticos e colocou em segundo plano a reunião em Jacarta, que comemora a Conferência Ásia-África de 1955 em Bandung, que reuniu pela primeira vez antigas nações colonizadas dos dois continentes.

- O desenvolvimento de uma amizade mútua seria benéfico para as duas nações. A amizade entre o Japão e a China é importante não apenas para a Ásia, mas para a comunidade internacional como um todo - disse Koizumi a repórteres.

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