Rio de Janeiro, 11 de Maio de 2026

Japão reforça segurança durante eleições

Segunda, 29 de Agosto de 2005 às 06:48, por: CdB

Temendo a possibilidade de um ataque da Al Qaeda na Ásia, o Japão está reforçando a segurança para a campanha eleitoral que começa nesta terça-feira.

As autoridades temem que se repita um atentado semelhante ao dos trens de Madri, em março de 2004, três dias antes das eleições gerais que representaram uma surpreendente derrota para o governo de então. A Espanha apoiava na época, como o Japão atual, os EUA na guerra do Iraque.

A imprensa japonesa também destaca o fato de as eleições estarem marcadas para 11 de setembro, o quarto aniversário dos ataques a Nova York e Washington. As autoridades minimizaram a importância da data.

- Não há dúvida agora de que o momento é maduro para um ataque ao Japão - disse Jun Yamazaki, presidente da unidade japonesa da consultoria Control Risks Group.

- A situação aqui é muito similar à situação da Espanha. E o terrorismo foi bem-sucedido - a Espanha abandonou o Iraque -  acrescentou.

O Partido Democrático, da oposição, diz em seu programa eleitoral que pretende retirar os 550 soldados japoneses do Iraque até dezembro, quando o mandato militar expira. Mas o Iraque não é um tema de destaque nesta eleição.

Alguns analistas dizem, porém, que um eventual ataque favoreceria o primeiro-ministro Junichiro Koizumi, pois o eleitorado optaria pela continuidade.

Na semana passada, o juiz francês Jean-Luis Bruguiere, especializado no combate ao terrorismo, disse ao jornal Financial Times que há sinais de que a Al Qaeda está preparando um ataque a algum centro financeiro do Oriente, como Tóquio, Sydney ou Cingapura.

Líderes políticos manifestam os mesmos temores. Katsuya Okada, dirigente do Partido Democrático, disse a jornalistas na semana passada que "não é uma questão de se o terrorismo vai ocorrer no Japão, mas quando".

A Agência Nacional de Polícia disse que até 13.600 agentes ficarão de prontidão no país durante a campanha, com ênfase em grandes cidades, como Tóquio e Osaka.

- Estamos levando tudo em conta e garantindo a segurança em lugares onde muita gente se reúne, como estações de trem -  disse um porta-voz policial.

O país ainda vive o trauma do ataque com gás sarin no metrô de Tóquio, em 1995. O atentado, cometido por uma seita religiosa, matou 12 pessoas e intoxicou mais de 5.000.

Um funcionário do metrô de Tóquio, usado por milhares de pessoas por dia, disse que já há medidas especiais de segurança desde o atentado de 7 de julho nos transportes públicos de Londres. Ações como patrulhas nas plataformas e remoção periódica dos cestos de lixo devem ser mantidas.

Analistas de segurança dizem que o governo japonês continua mal preparado para um ataque grave e que os sistemas de alerta em torno de prédios públicos precisam de melhorias.

- Alguns sistemas em vigor não protegem o governo de um ataque sério - disse Stuart Witchell, representante da International Risk Ltd. no Japão.

Ele acrescentou, porém, que a chance de um ataque contra instituições japonesas é relativamente reduzida e que um eventual atentado teria como alvo instalações ligadas ao governo ou às forças armadas dos Estados Unidos.

- Há muitos outros alvos que seriam mais atraentes do que o Japão - afirmou.

Tags:
Edições digital e impressa