Rio de Janeiro, 10 de Outubro de 2026

Japão realiza corte dramático nas taxas de juros e crise se aprofunda

Sexta, 19 de Dezembro de 2008 às 09:47, por: CdB

O Banco do Japão cortou sua taxa básica de juro para 0,10% nesta sexta-feira e tomou outras medidas para facilitar o acesso a crédito para as empresas. A decisão, que se segue ao corte dramático de juro nos Estados Unidos pelo Federal Reserve, foi apoiado por 7 votos contra um. O diretor Tadao Noda votou contra o corte, que entra em vigor imediatamente.

A decisão japonesa de reduzir os juros vem na trilha do primeiro prejuízo relatado pela matriz da Toyota Motor Group, maior montadora de veículos do mundo, em seus 71 anos de existência. A empresa foi atingida pela queda nas vendas e disparada do iene, informou a mídia japonesa nesta sexta-feira.

A Toyota deve divulgar previsões de desempenho de sua matriz e resultados consolidados para o ano fiscal que termina em 31 de março de 2009, em uma conferência de fim de ano marcada para a segunda-feira, informou o Chunichi Shimbun e a agência de notícias Kyodo.

Anteriormente, a matriz da Toyota havia publicado um prejuízo operacional, mas isso ocorreu no primeiro ano de atividade da companhia em 1937/1938.

Uma porta-voz da Toyota evitou comentar as informações publicadas pela imprensa japonesa. A matriz da montadora teve um lucro operacional de 140 bilhões de ienes (US$ 1,6 bilhão) no primeiro semestre depois de ter incorrido em perdas de 300 bilhões de ienes, o que torna praticamente certo um prejuízo anual se a taxa de câmbio atual, de cerca de 89 ienes, persistir.

O jornal Nikkei também previu que a Toyota terá um prejuízo operacional consolidado, incluindo subsidiárias, no ano enquanto o diário Mainichi informa que a companhia não deve emitir um alerta de lucro este mês.

Cenário europeu

Na Europa, os sinais da crise seguem ativos. A confiança empresarial na França em dezembro caiu para seu menor patamar nos 32 anos de história da pesquisa, nível que só havia sido registrado em junho de 1993, mostraram dados divulgados nesta sexta-feira. A agência de estatísticas INSEE informou que o índice de confiança caiu para 73 pontos em dezembro, ante dado revisado para baixo de 79 pontos em novembro. O dado ficou abaixo das estimativas de analistas, que esperavam uma leitura de 78. Inicialmente, a agência havia informado que em novembro o índice havia atingido a marca de 80 pontos.

Na Alemanha, o governo deve adotar um segundo plano de resgate econômico de um total de 40 bilhões de euros (US$ 57 bilhões), segundo reportagem desta sexta-feira no site da revista alemã Der Spiegel. O valor será destinado principalmente a investimentos em massa em infra-estruturas públicas e diminuições de impostos. O governo alemão já adotou há algumas semanas um primeiro plano de resgate equivalente a um esforço orçamentário de 12 bilhões de euros (US$ 17 bilhões). Os recursos irão se somar às medidas já adotadas no início de outubro, para alcançar o valor de 31 bilhões de euros (US$ 44,7 bilhões).

O instituto de estudos econômicos Ifo anunciou, na véspera, que o índice de confiança empresarial na Alemanha voltou a registrar queda neste mês. O indicador caiu de 85,8 pontos em novembro para 82,6 em dezembro. Em outubro, o índice estava em 90,2 pontos.

Neste mês, a chanceler alemã, Angela Merkel, pediu a realização de um "esforço nacional" para enfrentar a crise econômica. Ela pediu que todos assumam "conjuntamente as responsabilidades", já que o governo não pode reativar a economia sozinho, disse. O vice-chanceler, Frank-Walter Steinmeier, também defendeu uma ação arrumada, "com força, mas também com a cabeça", disse o social-democrata.

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