Rio de Janeiro, 06 de Fevereiro de 2026

Japão fecha usina nuclear após vazamentos radioativos

As autoridades do Japão confirmaram nesta quarta-feira o fechamento da central nuclear de Kashizawaki, a maior do mundo, cuja segurança está sendo questionada depois que o violento terremoto da última segunda-feira provocou vazamentos radioativos. (Leia Mais)

Quarta, 18 de Julho de 2007 às 10:06, por: CdB

As autoridades do Japão confirmaram nesta quarta-feira o fechamento da central nuclear de Kashizawaki, a maior do mundo, cuja segurança está sendo questionada depois que o violento terremoto da última segunda-feira provocou vazamentos radioativos.

- De acordo com a legislação contra incêndios, é difícil autorizar a exploração da central levando-se em conta a situação. Ordeno que parem de utilizá-la - declarou o prefeito ao diretor da companhia Tokyo Electric Power (Tepco), que explora o complexo nuclear.

O presidente da Tepco, Tsunehisa Katsumata, vestido com o quimono azul de trabalho dos empregados, se prostrou diante do prefeito e apresentou "desculpas profundas por ter provocado preocupação e problemas imensos" - seguindo um tradicional costume japonês.

Katsumata também visitou a central nuclear durante uma hora. Embora tenha destacado que os reatores nucleares não sofreram nenhum problema grave, o diretor afirmou que "sem dúvida, o choque foi maior do que o limite de resistência previsto na época da construção".

A central de Kashiwazaki-Kariwa se localiza apenas a 9 km do epicentro do primeiro tremor de terra de segunda, que atingiu 6,8 pontos na escala Richter, um dos mais violentos dos últimos anos no Japão.

Segundo o último balanço oficial, este terremoto provocou nove mortos, mais de mil feridos e destruiu centenas de prédios.

Vazamento radioativo

A Tepco já encontrou ao menos 50 pontos de mal funcionamento na usina após os terremotos. Entre os problemas, cerca de cem recipientes contendo resíduos tóxicos foram derrubados pelos terremotos e vários apresentaram perda de líquido.

O primeiro tremor também causou incêndio na usina, seguido por um vazamento inicial de água contendo materiais radioativos no mar do Japão. Além disso, a Tepco informou que houve emissão acidental de cobalto-60 e cromo-51 (radioativos) da usina para a atmosfera, mas não se sabe a razão.

Quatro dos sete reatores da usina estavam em funcionamento quando o primeiro terremoto atingiu o Japão, e todos foram fechados automaticamente por um mecanismo de segurança antitremores.

Kensuke Takeuchi, porta-voz da Tepco, disse nesta terça-feira que os defeitos são "problemas pequenos" que não apresentam danos ao ambiente externo ou à saúde pública.

Apesar das garantias, os vazamentos despertaram uma reação irada de críticos e ativistas antienergia nuclear no Japão. Até altos oficiais do governo criticaram a falta de segurança no país, que se situa em uma das áreas com maior incidência de terremotos do mundo.

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