Rio de Janeiro, 09 de Abril de 2026

Japão e EUA assinam acordo de defesa antimísseis

Sexta, 23 de Junho de 2006 às 07:26, por: CdB

Diante da tensão gerada pela ameaça do lançamento teste de um míssil norte-coreano, o Japão e Estados Unidos assinaram, nesta sexta-feira, um acordo que impulsiona a cooperação bilateral no desenvolvimento de um sistema de defesa antimísseis balísticos, que lhes permitirá desenvolver um foguete interceptador de última geração.

A implementação deste acordo chega em um dos momentos de maior tensão com a Coréia do Norte, após a divulgação de informações de que o regime comunista está preparando o lançamento de teste de um míssil balístico de longo alcance, violando a moratória assinada por Pyongyang para o desenvolvimento de tais armas em 1999.

O acordo, ao qual os dois países deram sinal verde em dezembro de 2004, foi formalizado hoje em Tóquio pelo ministro de Exteriores japonês, Taro Aso, e pelo embaixador dos EUA no Japão, Thomas Schieffer.

Este acordo permitirá o desenvolvimento do armamento já neste ano fiscal, informou a agência de notícias Kyodo.

Aso e Schieffer assinaram também um documento adjunto que estabelece que o custo para o Japão desse sistema de defesa antimísseis será de entre US$ 1 bilhão e US$ 1,2 bilhão, enquanto para os EUA será de entre US$ 1,1 bilhão e US$ 1,500 bilhão, a serem gastos nos próximos nove anos.

Em outro documento assinado hoje por Aso e Schieffer, o Japão subscreveu a retirada de uma proibição existente para a exportação aos EUA de componentes para mísseis, em concordância com esse acordo de cooperação para a criação do sistema antimísseis.

Em 1976, o Japão havia decidido proibir a exportação de qualquer tipo de armas.

No acordo de cooperação em matéria de mísseis firmado hoje, o Japão se compromete a desenvolver o cone de impacto dos futuros mísseis e o motor dos mesmos. Os EUA se centrarão no desenvolvimento dos explosivos do míssil e de seus aspectos cinéticos.

Quanto ao desenho e aos testes do míssil, tais trabalhos serão realizados de forma conjunta.

A assinatura deste acordo é a última etapa de um processo de pesquisa conjunta e cooperação que remonta a 1998, quando a Coréia do Norte disparou um míssil balístico que cruzou o território japonês e caiu no mar.

Esse lançamento de teste desatou o alarme no Japão, que decidiu deixar de lado os princípios pacifistas da Constituição e a lei de 1976 caso isso obstaculizasse a adequada defesa do país frente a um eventual ataque norte-coreano.

Em dezembro de 2004, o Japão anunciou um relaxamento em seu sistema de exportação de armas que sentou as bases do acordo formalizado nesta sexta-feira, a fim de permitir que esses componentes para mísseis possam chegar às centrais de desenvolvimento dos Estados Unidos.

Ainda em dezembro de 2004, o Gabinete de Ministros do Japão deu sinal verde para o desenvolvimento conjunto dos mísseis. Trata-se, de um formato avançado dos Standard Missile 3 (SM-3), de tipo interceptador, que se incorpora aos navios de guerra que dispõem do sistema de detecção Aegis, com radares capazes de seguir cem alvos simultaneamente.

Os EUA já anunciaram o futuro deslocamento de 18 destruidores Aegis e cruzeiros com interceptores SM-3 para o Pacífico e o Mar do Japão.

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