O Japão e a China apoiaram, nesta sexta-feira, gastos governamentais como prioridade na tentativa de conter a crise econômica global, antes de uma reunião do G20 que verá Estados Unidos e Europa divididos sobre a necessidade de mais estímulos agressivos. Os ministros das Finanças do grupo de lideranças mundiais também discutirão as demandas europeias por uma regulação mais dura dos mercados na reunião desta sexta-feira à noite, precedida por um encontro dos principais países do G20, Brasil, China, Índia e Rússia.
A procura por uma solução conjunta para a pior crise global desde a década de 1930 expôs diferenças nos últimos dias, com Washington demandando que mais dinheiro seja injetado no problema, enquanto Alemanha e França dizem que o foco deve ficar na execução das promessas já existentes e em conter excessos dos mercados. O ministro das Finanças do Japão, Kaoru Yosano, aproximou-se da postura norte-americana, pedindo que os líderes mundiais foque impulsos imediatos para a economia e prometendo um novo pacote até abril.
A China disse estar pronta para fazer mais, se necessário, para estimular o crescimento. "As questões imediatas são estabilizar o sistema financeiro e sair da atual ameaça de deflação", afirmou Yosano, em texto publicado na edição desta manhã, do Financial Times. O grupo de ministros das Finanças e autoridades de bancos centrais do G20 reúnem-se em Londres e vão discutir um plano para lidar com a crise antes de uma reunião mais ampla de líderes do grupo em 2 de abril, também na Grã-Bretanha.
O G20 representa mais de 80% da economia global e é formado pelas sete nações mais desenvolvidas do mundo - todas as quais estão em recessão ou perto disso - e pelos principais países emergentes do mundo como Brasil, China, Índia e Rússia.
Grande recessão
As principais nações desenvolvidas e emergentes estão sob pressão para atenderem as promessas feitas em novembro, quando elas criaram um plano de ação para combater a crise e se proteger de colapsos futuros, muitos deles envolvendo compromissos de melhor regulamentação. Mas a reunião que será realizada neste fim de semana é dominada por desentendimentos sobre quais deveriam ser as prioridades da cúpula e até que grau os países devem levantar recursos para pacotes de estímulo.
Washington defende que os maiores países industrializados gastem 2 por cento de seu Produto Interno Bruto (PIB) para impulsionar a demanda e recuperar a economia global, mas a França e a Alemanha rejeitaram a proposta norte-americana e os pedidos britânicos por novas injeções de recursos. "A comunidade internacional precisa se unir para combater o declínio (econômico) e criar uma base para um futuro sustentável", escreveu o ministro das finanças britânico, Alistair Darling, nesta sexta-feira, em uma coluna no Wall Street Journal.
"Nós precisamos fazer três coisas: impulsionar a demanda, reformar a regulamentação financeira do sistema global e aumentar os recursos do Fundo Monetário Internacional (FMI)", acrescentou.
Europa
Presidente da França, Nicolas Sarkozy rejeitou na quinta-feira em uma entrevista à imprensa com a chanceler da Alemanha, Angele Merkel, os pedidos norte-americanos para aumentar os gastos. A Rússia também vai se opor às propostas da Grã-Bretanha para impor um nível mínimo para estímulo fiscal de 2% do PIB e reduzir taxas de juro, informou uma fonte ligada à delegação russa.
O primeiro-ministro da China, Wen Jiabao, procurou assegurar ao mundo nesta sexta-feira que a China vai apresentar crescimento de 8 por cento em 2009, apesar do colapso da demanda oriental por produtos asiáticos e que o país pode direcionar gastos extras para estímulo, se isso for necessário para alcançar a meta de crescimento.