O Gabinete do primeiro-ministro do Japão, Junichiro Koizumi, aprovou um plano para enviar soldados para ajudar na reconstrução do Iraque, no que será o maior contingente de tropas a ser enviado ao exterior desde a 2ª Guerra Mundial. Após a reunião de Gabinete, Koizumi fez um pronunciamento à nação para explicar porque ele está seguindo adiante com o polêmico plano, que os líderes de oposição dizem que poderá arrastar as tropas para combates reais e violar a constituição pacifista pós-guerra do Japão.
O ministro da Agricultura, Yoshiyuki Kamei, confirmou que o Gabinete havia aprovado o plano, que foi divulgado pela mídia japonesa. As tropas japonesas serão enviadas ao sudeste do Iraque para trabalharem na restauração dos serviços de água, oferecer assistência médica e humanitária e ajudar na reconstrução de escolas e outras obras de infra-estrutura. O envio das tropas, esperado para começar ao longo do próximo mês, vai envolver elementos das forças aérea, terrestre e marítima do Japão.
De acordo com a mídia, 600 soldados das forças terrestres serão enviados ao Iraque, junto com veículos blindados e até seis navios da Marinha, incluindo destroyers. Oito aeronaves, incluindo três Hércules C130 (aviões de transporte), também serão enviados à região.
O número total de soldados japoneses a serem enviados ao Iraque seria de cerca de 1.000. Enfrentando uma forte pressão política e o ceticismo público, Koizumi adiou o envio das tropas ou anunciou outros detalhes, mas sempre reafirmou o compromisso de enviar os soldados quando a situação na região ficasse segura o suficiente.
A decisão, criticada por partidos de oposição, aparece em meio a pesquisas de opinião desfavoráveis ao governo -- pelos números, a maior parte da população japonesa se opõe ao envio de soldados neste momento.
Cerca de metade dos eleitores questionados pela rede de TV NHK no final de semana, porém, disse concordar com o envio de soldados no futuro, quando a situação no Iraque tiver melhorado.
A polêmica se intensificou depois de dois diplomatas japoneses terem sido mortos no Iraque, no mês passado.
O premiê viu-se obrigado a achar um meio-termo entre as obrigações do país com os EUA, favoráveis ao envio dos soldados, e a opinião pública, contrária à medida.
Nenhum militar japonês realizou disparos em combate e nem foi morto em missões além-mar desde a Segunda Guerra Mundial (1939-45), apesar de o país ter participado de missões de paz.
O plano autoriza o envio de 600 militares em qualquer data entre 15 de dezembro próximo e 15 de dezembro de 2004.
Espera-se que o grosso das forças seja enviado no próximo ano.
Na terça-feira, mais de cem manifestantes protestaram do lado de fora da residência do premiê contra a operação militar.