Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Japão apresenta apelo global contra o preconceito a pessoas com hanseníase

O Apelo Global 2015 para a Erradicação do Estigma e do Preconceito contra Pessoas Atingidas pela Hanseníase foi lançado nesta terça-feira, em Tóquio, no Japão. A iniciativa, que chega à sua 10ª edição.

Terça, 27 de Janeiro de 2015 às 09:14, por: CdB
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Dados do Ministério da Saúde revelam que, em 2013, o Brasil registrou 31.044 novos casos de hanseníase
  O Apelo Global 2015 para a Erradicação do Estigma e do Preconceito contra Pessoas Atingidas pela Hanseníase foi lançado nesta terça-feira, em Tóquio, no Japão. A iniciativa, que chega à sua 10ª edição, foi organizada pela instituição japonesa The Nippon Foundation com o apoio do Conselho Internacional de Enfermagem e o objetivo é conscientizar as pessoas sobre a discriminação que os portadores da doença ainda sofrem. “Nossa mensagem é clara: hanseníase pode ser curada. Remédios matam a bactéria. Diagnóstico precoce e tratamento previnem deformidades. Não há mais motivo para isolar as pessoas com a doença”, dizem as instituições em um comunicado. “Faremos os esforços necessários para ajudar as pessoas que ainda estão em clínicas para viver mais confortavelmente e acabar com a discriminação contra a hanseníase”, disse o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, que participou da cerimônia de lançamento. Segundos dados da The Nippon Foundation e do Conselho Internacional de Enfermagem, todos os anos, mais de 200 mil novos casos são diagnosticados em todo o mundo. Apesar de a doença poder ser curada, pessoas com hanseníase e seus parentes continuam a sofrer discriminação afetando suas perspectivas de educação e emprego.

Diagnóstico tardio

Mesmo com a queda nos novos casos de hanseníase no Brasil, muitas pessoas buscam atendimento médico já com sequelas da doença. Isso faz com que o diagnóstico médico seja feito de forma tardia. O alerta é do coordenador nacional do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan), Artur Custódio. Em entrevista à Agência Brasil, Custódio avaliou que a principal ação promovida pelo governo nos últimos anos tem como foco identificar novos casos de hanseníase. Apesar dos avanços no diagnóstico, ele defende a necessidade da divulgação permanente de informações sobre a doença nos meios de comunicação. “Essa campanha (lançada pelo Ministério da Saúde na última quinta-feira com foco no diagnóstico precoce) está chegando com pelo menos quatro anos de atraso. Isso porque, há quatro anos, o Congresso Nacional aprovava o Dia Nacional de Luta contra a Hanseníase, a ser comemorado na mesma data do dia mundial”, disse. “A gente precisa falar sobre a doença para diminuir o preconceito e acabar com ela”, acrescentou Custódio. O coordenador do Morhan ressaltou que a expectativa do movimento é que o governo assuma este ano um “novo tipo de postura” em relação ao combate à hanseníase, por meio da adoção de campanhas permanentes e da capacitação de profissionais para o diagnóstico precoce, incluindo os estrangeiros do Programa Mais Médicos e agentes de saúde responsáveis por visitas domiciliares. Dados do Ministério da Saúde revelam que, em 2013, o Brasil registrou 31.044 novos casos de hanseníase. No ano passado, dados preliminares apontam que 24.612 novos casos foram identificados no país. As áreas de maior risco estão concentradas em Mato Grosso, no Pará, Maranhão, em Rondônia, no Tocantins e em Goiás. A hanseníase é uma doença crônica, infectocontagiosa e transmitida de uma pessoa doente que não esteja em tratamento para uma pessoa saudável suscetível. Ela tem cura, mas pode causar incapacidades físicas se o diagnóstico for tardio ou se o tratamento não for feito adequadamente. A doença já que atinge a pele e nervos. A orientação é que as pessoas procurem o serviço de saúde assim que perceberem o aparecimento de manchas, de qualquer cor, em qualquer parte do corpo, principalmente se ela apresentar diminuição de sensibilidade ao calor e ao toque. Após iniciado o tratamento, o paciente para de transmitir a doença quase que imediatamente. Pelo telefone 0800 026 2001, mantido pelo Morhan, é possível acessar informações sobre a hanseníase, além de denunciar problemas como a discriminação a pacientes ou a falta de medicamento para a doença.
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