O Japão anunciou, nesta quarta-feira, uma série de novas sanções à Coréia do Norte, em reação ao suposto teste nuclear realizado nesta semana pelo país comunista, disse a TV NHK, de Tóquio, enquanto Pyongyang ameaçava promover novos testes. O Japão também tenta impor sanções à Coréia do Norte na Organização das Nações Unidas (ONU), e o Conselho de Segurança deve tomar uma decisão até sexta-feira. Aparentemente, vai se formando um consenso em torno disso, apesar de alguma relutância de China e Rússia, principais parceiros comerciais da Coréia do Norte.
A Coréia do Norte anunciou na segunda-feira ter feito o primeiro teste de armas nucleares da sua história, numa suposta resposta "à ameaça de guerra e sanções" dos EUA. A NHK começou o dia noticiando rumores de que a Coréia do Norte teria feito um segundo teste, informação depois descartada. Os especialistas ainda estão analisando dados geológicos e ambientais para confirmar ou não o teste nuclear do começo da semana.
Autoridades japonesas disseram que as sanções do país devem incluir o veto a navios norte-coreanos em todos os portos do Japão e a suspensão de todo o comércio bilateral. O Japão já havia anunciado sanções à Coréia do Norte depois que o país testou mísseis balísticos em julho. Entre as sanções iniciais estava uma proibição de seis meses às viagens entre os dois países da balsa norte-coreana Mangyongbong-92.
Em setembro, Tóquio aprovou restrições financeiras contra as transferências de dinheiro a partir de grupos no Japão supostamente ligados a Pyongyang. Economistas dizem que o rompimento do comércio entre Japão e Coréia do Norte terá um efeito mais simbólico que prático, o que não aconteceria se Rússia e China, que efetivamente têm um comércio substancial com Pyongyang, adotassem essa medida.
A China, maior aliada da Coréia do Norte no mundo, passou a admitir sanções ao país. "Acho que tem de haver algumas ações punitivas", disse na terça-feira o embaixador chinês na ONU, Wang Guangya.
- Precisamos de uma resposta firme, construtiva e apropriada, mas prudente, à ameaça nuclear da Coréia do Norte - acrescentou.
A Rússia disse que o teste foi "um golpe colossal" no regime de não-proliferação nuclear, mas a exemplo da China disse que a eventual resolução da ONU não deve abrir caminho para o uso da força. Estados Unidos, França e Grã-Bretanha, que assim como China e Rússia têm poder de veto na ONU, cobraram rapidez na imposição de sanções financeiras e militares, o que pode acontecer ainda nesta semana.
A ONG Human Rights Watch pediu que a crise não afete a ajuda alimentar à miserável população norte-coreana, pois milhões de cidadãos correm o risco de passarem fome.
O presidente da Coréia do Sul, Roh Moo-hyun, cujo país ainda está tecnicamente em guerra contra o Norte, disse que é preciso conciliar pressão com diálogo. "Está claro que ambos são válidos", disse ele a um grupo de consultores do setor privado. "Não se pode desistir de nenhum."
Mais ameaças
Em Pyongyang, um importante membro do regime disse que mais testes nucleares podem ocorrer.
- A questão dos futuros testes nucleares está ligada à política dos EUA para nosso país - disse Kim Young-nam, número dois em comando naquele país, à agência japonesa de notícias Kyodo.
Kim também reiterou a posição da Coréia do Norte de que retomará as negociações multilaterais sobre seu programa nuclear se os EUA acabarem com sanções financeiras que impuseram ao país.
- A questão de futuros testes nucleares está ligada à política norte-americana em relação a nosso país. Se os Estados Unidos continuarem a ter uma atitude hostil e aplicar pressão sobre nós em diversas formas, não teremos escolha senão tomar medidas físicas para lidar com isso - disse Kim.
Kim minimizou a ameaça de sanções econômicas, disse a Kyodo.
- Mesmo com sanções econômicas aumentando diariamente, nossa economia, em geral