Primeiro-ministro do Japão, Taro Aso anunciou, nesta quarta-feira, o maior orçamento anual da história do país na tentativa de evitar que a nação enfrente um longo processo de recessão. Entretanto, o orçamento de 88,5 trilhões de ienes (US$ 980,6 bilhões) é ameaçado pelo apoio em queda da população ao premiê e enfraquecimento do controle sobre seu Partido Democrático Liberal, que analistas afirmam que corre risco de perder eleição na câmara baixa.
O orçamento para o ano fiscal que começa em abril de 2009, junto com outros dois orçamentos extras para o atual ano, vai financiar os programas de estímulo econômico de 12 trilhões de ienes de Aso, que correspondem a 2% do Produto Interno Bruto do Japão. Ministros afirmam que o orçamento é tão grande quanto, ou ainda maior, que as medidas adotadas por outras grandes economias. Mas isso também significa que o déficit primário do Japão vai quase triplicar, tornando a meta de Tóquio de superávit em dois anos quase impossível.
– O Japão não pode evitar a tsunami da recessão mundial, mas pode tentar encontrar uma saída. A economia mundial está em uma recessão que só acontece uma vez a cada 100 anos. Precisamos de medidas extraordinárias para lidar com uma situação extraordinária – afirmou Aso em entrevista a jornalistas.
O orçamento proposto pelo gabinete de Aso é 6,6% maior que o volume de recursos previstos inicialmente para o atual ano fiscal, que se encerra em março.
Reação negativa
As Bolsas européias operavam em baixa nesta quarta-feira. Os investidores mantiveram os fracos resultados do mercado norte-americano, na véspera, após a divulgação de indicadores negativos sobre a economia dos EUA. Na Ásia e região, o mercado não reagiu conforme esperava o governo japonês, após a aprovação do orçamento inédito para o ano que vem. O pregão, na maioria dos países europeus, termina mais cedo, devido ao feriado de Natal. Os mercados de ações na Alemanha, Finlândia, Suíça, Suécia, Espanha, Itália e Áustria sequer abriram.
Às 8h15 (horário de Brasília), a Bolsa de Londres estava em baixa de 1,06% no índice FTSE 100, indo para 4.211 pontos; a Bolsa de Paris caía 0,65% no índice CAC 40, indo para 3.107,97 pontos; e a Bolsa de Amsterdã tinha baixa de 1,49% no índice AEX General, que estava com 240,86 pontos. A previsão dos analistas é de que o FTSE 100 deva fechar 2008 com uma perda de 35%; o CAC 40 deve fechar o ano com perda de 44%; e o DAX, com uma perda de 43%.
Mais cedo, o índice FTSEurofirst 300, que reúne ações das principais empresas européias, caía 0,3%, indo para 806,43 pontos.
Entre os setores que mais perderam no pregão está o bancário, com destaque para as quedas nos papéis do Fortis (-6%), depois que a instituição revelou ter perdido 295 milhões de euros. O francês BNP Paribas tinha perda de 2,7% em seus papéis; os papéis do Barclays estavam em baixa de 1,6%. Os do francês Société Générale, no entanto, subiam 3%. No setor de energia, caíam as ações da BP (1,4%) e da Royal Dutch Shell (-1,1%).