O Japão divulgou uma nova política de defesa nesta sexta-feira, abrindo as portas para as exportações de armas depois de décadas e, em palavras cuidadosas, sugerindo uma mudança na postura meramente defensiva adotada após a derrota na Segunda Guerra Mundial (1939-45). Essa é a estratégia do primeiro-ministro do Japão, Junichiro Koizumi.
A primeira grande revisão da política de defesa em quase 10 anos prevê uma participação maior dos japoneses em missões militares ao lado de outros países e um aparato mais bem equipado para responder a atentados terroristas e a ataques com mísseis, mas afasta a hipótese de realizar ataques preventivos.
O Japão, o único país do mundo a ter sofrido um bombardeio nuclear, manteve a proibição sobre a posse de armas atômicas, bem como preservou sua aliança com os EUA, um dos pontos centrais de sua política de defesa.
- Respeitando o princípio básico da Constituição japonesa, nosso país, devotando-se inteiramente à legítima defesa, nunca mais ameaçará outros países ou se transformará em uma potência militar - afirmou o governo no novo Perfil do Programa Nacional de Defesa.
Qualquer sinal de que o Japão possuísse a capacidade de realizar ataques preventivos poderia abalar as relações dele com seus vizinhos, entre os quais a China, onde ainda é viva a memória do passado militarista japonês.
Diante da preocupação crescente com os programas nuclear e de míssil da Coréia do Norte, a nova política de defesa prevê a continuidade dos esforços para criar um sistema de defesa antimíssil.
O comunicado também afirmou que o país alteraria um "plano básico de defesa" de 1976 que havia limitado sua capacidade de defesa a um mínimo. A declaração mostra que a definição de "defesa" torna-se, aparentemente, mais ampla.
- Apesar de preservarmos parte do 'plano básico de defesa', é necessário enfrentar em termos práticos as novas ameaças, surgidas em um novo ambiente - disse o governo.
A nova política de defesa, porém, não incorporou a sugestão feita por um painel formado por estudiosos e líderes do setor empresarial de que o país adquirisse a capacidade de realizar ataques preventivos.
- Acho que isso (a aquisição da capacidade de realizar ataques preventivos) é inevitável porque é um pré-requisito básico do aparato de guerra moderno - disse Robert Karniol, editor para o Pacífico e Ásia da revista Jane's Defence Weekly.
Quanto à exportação de armas, a proibição será parcialmente suspensa para permitir o desenvolvimento de um escudo antimíssil junto com os EUA.