Rio de Janeiro, 17 de Setembro de 2026

Jandira Feghali propõe governo à esquerda em aliança com progressistas do Rio

Sábado, 30 de Novembro de 2013 às 12:32, por: CdB
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Jandira Feghali propõe um governo livre da promiscuidade com o poder econômico no Estado do Rio
A campanha eleitoral para a sucessão ao governo do Estado do Rio de Janeiro ainda não começou, mas a movimentação dos futuros candidatos já mobiliza o cenário político fluminense e aponta possíveis alterações no quadro eleitoral, antes mesmo da largada, no ano que vem. A deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), no seminário Rio de Ideias, promovido no Centro do Rio, para estruturar o programa de governo que apresentará ao eleitorado, levantou a hipótese de Luiz Fernando Pezão, atual vice-governador e virtual postulante ao cargo do atual mandatário, Sérgio Cabral, apoiá-la em 2014. O PCdoB rompeu parte da aliança que mantém, em nível nacional, com o PMDB, distanciando-se do governo Cabral, desgastado em episódios de corrupção e mau uso do dinheiro público, tornando-se alvo das manifestações que, nos últimos meses, tomaram a capital fluminense. – O governo do Estado não é um bom governo, mas se agravou no plano moral e no plano simbólico. Nós precisamos marcar a diferença. Estamos no campo popular do Lula e da Dilma. O PCdoB não rompe com o PMDB no plano nacional, mas com o governo Cabral. Se o problema é de correlação de forças, então eles é que precisam ter humildade e compor com quem está mais em cima (nas pesquisas eleitorais) – afirmou Jandira. Numa disputa em que surge com 6% das intenções de voto de acordo com Instituto Ibope, na frente do candidato do governador Sérgio Cabral e pouco atrás dos três primeiros colocados, Jandira expressou sua gratidão pelo encontro e citou os principais eixos que precisam de cuidado: – Ficou uma marca deste Governo que é a falta de diálogo com as demandas sociais, o que é inadmissível em termos de gestão pública. Hoje você tem um estado fragmentado e com territórios divididos, onde a insegurança é muito grande. Vai da capital para periferia, passando pela região Metropolitana e Interior – destacou. Jandira também abordou a necessidade de um rumo novo no estado, iniciado com Lula e Dilma: – Hoje o governo no Rio é marcado também pela promiscuidade com o poder econômico. Só uma correlação de forças pela esquerda pode mudar isto. E o PCdoB deve comandar esse rumo no Rio, pois tem potencial e representatividade. Ouvimos muito aqui e consideramos que romper com o Governo Cabral foi a melhor decisão, porque não estávamos concordando mais com a posição assumida distante do povo. A deputada aproveitou para pontuar aspectos de política pública e suas pautas, porque o Estado precisa de "uma política integradora, uma gestão que pense todas as áreas sociais com vigor e empenho. A cultura e comunicação democrática, por exemplo, é uma pauta que precisa ganhar fôlego também no Governo do Rio. Hoje você não tem um gabinete digital ou uma televisão pública regional, que funcione”, afirmou. Programa de governo Jandira falou para um auditório lotado por mais de 100 pessoas, no seminário Rio de Ideias, produzido em parceria do PCdoB e a Fundação Maurício Grabois. O objetivo central do encontro foi realizar um diagnóstico de cada área social e política do Rio, mas debater também propostas criativas para a pré-candidatura da parlamentar ao Governo do Estado. Representantes de diferentes entidades, movimentos sociais, sindicatos, universidades, além de gestores públicos, professores, profissionais de saúde, economistas e intelectuais, colaboraram com suas visões sobre o Rio. Participante da mesa, o economista Mauro Osório destacou o desenvolvimento da região: – Ainda é baixo o Produto Interno Bruto na periferia da Região Metropolitana. É preciso políticas públicas de desenvolvimento econômico para fora da capital também. Um quarto dos jovens não trabalha e não estuda, o que representa quase 200 mil jovens. Na Baixada Fluminense é um terço. O grande problema chama-se periferia da Região Metropolitana – disse. Já o engenheiro da COPPE/UFRJ, Fernando Macdowell, aponta soluções para a mobilidade urbana: – A cada seis carros, quatro estão congelados no trânsito do Rio. Estamos caminhando para trás na mobilidade urbana, se analisarmos bem. É importante trabalharmos em qualquer sistema de transporte com ao menos três grandes grupos e integrando transporte e urbanismo. Pavuna, por exemplo, tem uma concentração de 20% dos horários de entrada e saída da população. Se põe em um shopping, aumenta drasticamente. Tem-se que avaliar tudo juntamente e isso ainda não é totalmente feito, com prioridade – afirmou. Já o professor do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ, Francisco Carlos Teixeira, lembrou a necessidade de se ampliar a luta por um maior "controle do espaço, dos recursos do interior e do Estado". – A reforma de Pereira Passos foi uma forma de destruir. Explusar para a periferia quem não usava gravata e calça na qual descesse, sem empecilhos, uma laranja pela perna. Carlos Lacerda fez a segunda grande intervenção deste processo. A Cidade Maravilhosa na qual dia falta água a à noite falta luz. Desde então, até agora, não foi feito mais nada. Hoje há falta de água sistemática, inclusive na Zona Sul. E o modelo pedagógico de Lacerda, com as escolas de papelão empregnou a cabeça dos governantes posteriores. O problema era colocar todoas as crianças nas escola e não educar – lembrou o ex-sub-secretário de Educação, na pasta ocupada pelo antropólogo Darcy Ribeiro, durante o governo Leonel Brizola. Carlos também defendeu a aplicação de novas tecnologias no apoio didático aos alunos e professores do Estado. A mesa, presidida pelo presidente estadual do PCdoB, Batista Lemos, reuniu, ainda, Luis Carlos Martins, Prof do Instituto de Economia da UFRJ, Luis Martins; Luis Fernandes, Secretario Executivo do Ministério dos Esportes; Fernando Noronha da área da saúde; Aloisio Tibiriça, Vice-Presidente do Conselho Federal de Medicina; Daniel Ilescu, presidente da União Juventude Socialista; Paulo Cesar, diretor da FAMERJ; Humberto Lemos, presidente do Sindsama; Ana Rocha, Secretária Municipal de Políticas para mulheres; Ronaldo Lemos presidente da CTB/RJ; Alexandre Santini, Laboratório de políticas públicas culturais da UFRJ ; e a deputada estadual, Enfermeira Rejane.
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