Depois de Silvio Berlusconi, que foi fustigado por Nanni Moretti em <i>Il Caimano</i>, Jacques Chirac é a vítima de um documentário satírico que entra em cartaz na quarta-feira na França.
<i>Dans la peau de Jacques Chirac</i> (<i>Na Pele de Jacques Chirac</i>) é uma "autobiografia não autorizada", dirigida por Karz Zéro e Michel Royer, que mistura montagem de arquivos televisivos e supostas confissões do presidente francês de 73 anos.
Karl Zéro garante que não quis seguir o exemplo de Michael Moore, autor de <i>Fahrenheit 9/11</i>, o filme contra George W. Bush que foi Palma de Ouro no Festival de Cannes de 2004.
Mas a epígrafe do título do filme, <i>Quando a realidade ultrapassa a ficção</i>, dá uma idéia do resultado da montagem de trechos de 40 anos de imagens televisionadas sobre Jacques Chirac. E também são confrontadas na tela as declarações completamente opostas dadas pelo presidente francês há alguns anos contra as ditas algumas semanas atrás.
A mídia francesa estima que o público vai rir bastante, e algumas vezes deve surgir um "sorrir amarelo", em detrimento do herói do filme, que parece oportunista e cínico. O diretor admite "gostar um pouco" de Chirac, primeiro porque ele é "inegavelmente engraçado, voluntariamente ou não".
Para o jornalista, a história de Chirac é a de "um cara que a gente tem rancor... confrontado por um destino puramente romanesco, apoiado por uma sorte que transforma em sucesso cada erro seu". Após o lançamento do livro <i>La Tragédie du Président</i>, de Franz-Olivier Giesbert, esse documentário vem reforçar o isolamento de Chirac a um ano do fim de seu segundo mandato.