O juiz encarregado do processo no qual o cantor Michael Jackson é acusado de abuso sexual contra um menor disse na sexta-feira que espera que o auto-intitulado ``Rei do Pop'' seja julgado ainda neste ano.
Em uma audiência do tribunal de Santa Barbara, da qual Jackson, 45, foi dispensado, os advogados do cantor disseram que querem que o julgamento comece em dezembro.
``Quero ver este caso julgado antes do fim do ano'', afirmou o juiz Rodney Melville, embora, aparentemente admitindo que o prazo dificilmente será cumprido, tenha acrescentado: ``Não vou fazer disso uma regra rígida que tenha de ser cumprida.''
Antes do julgamento, Jackson tem direito a uma audiência preliminar na qual será decidido se há provas suficientes contra ele. O juiz não marcou data para tal audiência, mas determinou que todas as partes voltem ao tribunal em 2 de abril.
Outra complicação para Jackson é o fato de seu principal advogado, Mark Geragos, também representar Scott Peterson, um vendedor de fertilizantes da cidade de Modesto, cujo julgamento por homicídio duplo deve começar no final de março e durará até seis meses.
Falando em frente ao tribunal, outro advogado de Jackson, Ben Brafman, rejeitou as especulações da imprensa segundo a qual Geragos abandonaria o caso. ``Ele está aqui para ficar'', afirmou.
Enquanto isso, Melville disse que, a pedido dos promotores, vai romper o sigilo sobre parte do material das investigações. Mas ele deve selecionar o que será liberado, mantendo outra parte das provas contra Jackson em segredo.
O misterioso cantor sofreu sete acusações de cometer ``atos libidinosos'' contra um menos de 14 anos e duas acusações de ter embriagado o menino para seduzi-lo. O cantor se diz inocente e chama as acusações de ``grande mentira''.
Sem Jackson no tribunal, a audiência foi muito mais pacata do que sua apresentação à corte, no mês passado, que foi cercada por uma legião de fãs e jornalistas. Na sexta-feira, pouco mais de 20 admiradores dele se reuniram em torno do tribunal -- havia muito mais jornalistas do que fãs.
Entre eles estava Sonia Ricatte, uma francesa de 30 anos que vive na Inglaterra e disse ter viajado à Califórnia apenas para manifestar apoio a Jackson e repúdio à imprensa, que segundo ela é a culpada pelos problemas jurídicos do cantor.
``É óbvio que se trata de uma armadilha, como da última vez'', disse Ricatte, usando uma camiseta com a frase
``Eu apóio Michael Jackson.'' Ela se referia a uma acusação similar feita contra o cantor em 1993.
Questionada por um jornalista sobre por que ela tem tanta convicção da inocência de Jackson, Ricatte respondeu: ``Não faça perguntas estúpidas.''
Na audiência de janeiro, Jackson chegou 20 minutos atrasado e foi repreendido pelo juiz. Na saída, provocou grande alvoroço, acenando para os fãs e dançando sobre um veículo.