Não tinha, mas agora, no bojo das discussões a respeito do Trem de Alta Velocidade (TAV), acredito que precisamos de um debate mais amplo e nacional sobre a situação dos transportes nas regiões metropolitanas do país e das soluções de médio e de longo prazo.
Cada vez mais reforço minha crença de que precisamos de um plano nacional que inclua as 12 maiores regiões metropolitanas do país e sobre o que acontecerá com os metrôs de Salvador, Recife, Fortaleza, Belo Horizonte e Porto Alegre, obras que não acabam nunca...
Como ficará o transporte de massa nas demais capitais e nas cidades médias? Quais medidas serão tomadas com relação aos trens metropolitanos, por exemplo, em São Paulo e no Rio de Janeiro? Hoje prestadores de um serviço de baixíssima qualidade?
O governo federal e a ANTT vão ficar impassíveis?
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e o governo federal vão ficar inertes frente à deterioração do sistema de transporte de passageiro nas capitais e regiões metropolitanas do país? Porque é o que está acontecendo.
Até aconselho aos diretores da Agência reguladora a pegar um ônibus em Brasília, ou em qualquer outra capital, e a dar uma nota ao serviço. Será zero seguramente. Ficar em obviedades, dizer que a aprovação da Medida Provisória (MP) - que ocorreu na Câmara, falta no Senado - sobre o TAV é necessária para a realização do leilão e redundante.
Mas, também, é obvio que só com a aprovação da MP nem todas as questões estão resolvidas com relação à obra e seu financiamento. Daí, inclusive, estar ocorrendo os sucessivos adiamentos e pedidos das empresas e consórcios de novos prazos e de novas informações. Necessárias até para a formação dos próprios consórcios.
Justificável pedido de adiamento pelas empresas
Acho justificável esse comportamento das empresas, dado o elevadíssimo custo da obra; o retorno do investimento; os problemas técnicos; os de financiamento; as condições para a própria implantação do TAV; e por exemplo, o que poderemos ter de componente da indústria nacional em sua execução.
Nem posso deixar de registrar a posição do diretor geral da ANTT, Bernardo Figueiredo. "Hoje é diferente. Não existem mais dúvidas quanto ao modelo nem sobre os estudos que foram feitos, mas (as empresas formadoras do consórcio) argumentam que os estudos foram concluídos no final de fevereiro e que o prazo que restou para o casamento investidora-tecnologia ficou curto."
Espero que ele esteja certo. Como, também, quando pondera: "Ontem (4ª feira, pp) tivemos aprovada a MP, que é lastro fundamental do projeto. Mas, o fato de ainda ter que ser votada no Senado gera uma insegurança (para os investidores)". Segundo ele, o prazo do leilão programado para a próxima 2ª feira não poderia ser mantido sem a aprovação da Medida pelo Congresso Nacional.