Rio de Janeiro, 13 de Setembro de 2026

Já são cinco os pedidos de <i>impeachment</i> do governador de Brasília

O P-SOL no Distrito Federal, com o apoio da legenda nacional, protocolou nesta quarta-feira, na Câmara Legislativa, mais um pedido de impeachment do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM-DF), e do vice, Paulo Octávio (DEM-DF). (Leia Mais)

Quarta, 02 de Dezembro de 2009 às 10:20, por: CdB

O P-SOL no Distrito Federal, com o apoio da legenda nacional, protocolou nesta quarta-feira, na Câmara Legislativa, mais um pedido de impeachment do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM-DF), e do vice, Paulo Octávio (DEM-DF). É o quarto desde a manhã de terça-feira, quando dois advogados protocolaram na Câmara Legislativa o pedido formal para que Arruda saia do governo. A Procuradoria da Casa espera apresentar, nesta quinta-feira, um parecer sobre os pedidos. Se os pareceres forem favoráveis à abertura de processo de afastamento de Arruda, os documentos seguem para análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e depois para o plenário.

Ainda pela manhã, um terceiro pedido de impeachment contra o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), foi protocolado na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Dessa vez, o responsável é o pastor Oséas Rodrigues, da Ordem dos Ministros Evangélicos do Gama, cidade do DF a 30 quilômetros de Brasília . E pode não ser o último. O PT garante ir à Câmara Legislativa, nas próximas horas, com o quinto pedido de cassação do governador. Nesta quinta-feira, provavelmente, será a vez da Ordem dos Advogados do Brasil.

Os pedidos de impeachment se devem às denúncias de que o governador do Distrito Federal, o vice, Paulo Octávio (DEM), e diversos deputados distritais fariam parte de um esquema de recebimento de propina de empresários da cidade. Alguns foram filmados colocando maços de dinheiro nas meias, bolsas, bolsos do paletó, caixas e até na cueca.

A denúncia resultou numa profunda crise no partido – o Democratas. Dividida entre a expulsão sumária de Arruda do partido ou a abertura de processo administrativo, a bancada deu prazo de oito dias para que o réu apresente uma explicação. Alguns senadores democratas esperam que até lá o governador deixe o DEM, sem que o partido precise tomar uma decisão sobre o assunto. Mas, Arruda afirmou que não vai deixar nem o partido nem o governo do Distrito Federal.

Capo

A Polícia Federal, após análise da gravação realizada com autorização judicial, constata que o governador José Roberto Arruda organizava pessoalmente o propinoduto que irrigou o DEM e demais partidos da base aliada ao governo do Distrito Federal com a propina captada junto aos empresários. Arruda, no entanto, alega que o diálogo gravado em 21 de outubro teve o objetivo de  "passar uma versão previamente estudada". Trechos do diálogo dele com seus assessores, no entanto, mostram-no claramente perguntando como está "a despesa mensal com político".

– Tem que unificar tudo! – diz Arruda, que queria uma data única para a distribuição do dinheiro sujo.

O governador, em conversa com jornalistas, na noite passada, culpou o adversário político local, Joaquim Roriz (PSC), pelas denúncias, mas admite que recebeu propina, diretamente do ex-secretário Durval Barbosa, uma única vez. Arruda confessou, em entrevista ao diário paulistano Folha de S. Paulo, publicada na edição desta quarta-feira, ter recebido outras contribuições de Durval por meio de "outras pessoas".

Na conversa, Arruda alega que os vídeos agora divulgados foram gravados quando ele ainda não era governador de Brasília. Ele também nega ter visto, no dia 21 de outubro último, quando Durval chegou ao seu gabinete com uma mala cheia de dinheiro, aproximadamente R$ 400 mil. Também se recusou a explicar o conteúdo do diálogo, gravado em áudio monitorada pela Polícia Federal.

O governador, na entrevista ao jornal paulistano, não soube dizer se a propina foi de R$ 50 mil:

– Eu acho que foi R$ 20 mil ou R$ 30 mil. Não sei. Que eu recebi diretamente, foi (a única vez). Nos outros anos – 2003, 2004, 2005 e 2006 – ele (Durval) também ajudou.

A "ajuda de campanha", segundo o político do DEM, chegava por intermédio de "outras pessoas".

– Não diretamente a mim. Mas ele (Durval) ajudou. Nessas campanhas de final de ano, eu pedia ajuda a pessoas físicas e jurídicas. Mais de 60. O Carrefour sempre dava. O Planaltão, o Super Maia (supermercados de Brasília). Com esses recursos eu fazia festas nas creches e nos asilos. Há dez anos que eu faço isso – justificou-se.

Na entrevista, no entanto, admite que era tudo dinheiro de caixa dois e não se preocupava com a Receita Federal:

– Não declarava (as 'doações'). Eu pegava apenas os recibos das instituições. Fazia a festa, distribuía os cartões de Natal...  Eu nunca me perguntei isso (se era necessário contabilizar os recursos). A verdade é que eu fiz uns dez anos. Mas nunca teve nada escondido, não. O Carrefour por exemplo me doava oficialmente – apontou.

Explicações

No início desta tarde, o Conselho Nacional de Justiça pediu informações sobre a denúncia de que três desembargadores do Tribunal de Justiça do Distrito Federal teriam sido citados em gravações de diálogos sobre o esquema de corrupção que envolve o governador, José Roberto Arruda (DEM-DF).

O CNJ pediu ao Tribunal de Justiça informações sobre a divulgação do nome dos magistrados Getúlio Pinheiro de Souza, Romeu Gonzaga Neiva e José Cruz Macedo em matérias jornalísticas sobre o caso. Os magistrados têm 15 dias para responder os questinamentos ao Conselho Nacional de Justiça.

Tags:
Edições digital e impressa