Diante das críticas de movimentos sociais e de organizações não-governamentais (ONG) quanto à liberação do uso de sementes transgênicas, o coordenador geral da 2ª Conferência Nacional do Meio Ambiente, Pedro Ivo, disse que a cobrança não deve ser feita ao Ministério do Meio Ambiente (MMA), mas sim aos parlamentares.
- O Ministério do Meio Ambiente assumiu uma posição e enviou uma lei de Biossegurança. Os parlamentares modificaram a lei e não fizeram como queríamos. Os poderes são independentes. Isso não é um problema de falta de vontade do governo, é um problema de correlação de forças no Congresso, que não foi favorável a essa causa ambiental importante. Cabe à sociedade cobrar dos seus parlamentares - disse.
Através de uma medida provisória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, aprovada pelo Congresso, permite que soja geneticamente modificada, também chamada transgênica, seja plantada no Brasil. A posição dos participantes da 1ª Conferencia, realizada em 2003, foi pela proibição do plantio, comercialização, armazenamento e transporte de qualquer produto que contenha uma variante transgênica.
Pedro Ivo afirmou que 70% das deliberações da 1ª conferência estão sendo cumpridas, mas muito depende da relação entre os poderes.
- Temos que estar atentos, porque temos três poderes autônomos. O que não é justo é dizer que não queremos implementar os temas ambientais do país e que não houve avanço. Isso não é justo - afirmou.
A ambientalista do Instituto Socioambiental (ISA), Adriana Ramos, disse que, agora, a 2ª Conferência Nacional do Meio ambiente será um espaço para que outras lutas referentes ao assunto sejam travadas, como a exigência da rotulagem adequada de produtos transgênico.