Rio de Janeiro, 22 de Setembro de 2026

Itamaraty substitui embaixadores que deixaram comissão sobre fuga de boliviano

Quarta, 28 de Agosto de 2013 às 01:47, por: CdB
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O ministro Luiz Alberto Figueiredo Machado substituiu o então chanceler Antonio Patriota
O Itamaraty substituirá, nas próximas horas, os embaixadores Glivânia Maria de Oliveira e Clemente de Lima Baena Soares, chefe do Departamento de América do Sul, que faziam parte da comissão de sindicância encarregada de apurar a retirada do senador boliviano de oposição Roger Pinto Molina da Embaixada do Brasil em La Paz. Ambos se disseram impedidos de desempenhar as funções. No caso de Baena Soares, a decisão foi tomada porque ele integrou o grupo de trabalho encarregado de negociar a saída do parlamentar boliviano. Ele alegou "ter interesse direto ou indireto" no tema. Soares fazia parte da comissão Brasil-Bolívia criada para discutir o caso do senador. Os novos embaixadores que integrarão a comissão devem ser designados pela corregedora do Serviço no Exterior. A expectativa é que a definição ocorra após a posse, nesta quarta-feira, do novo chanceler Luiz Alberto Figueiredo Machado, em substituição a Antonio Patriota. A comissão de sindicância reuniu-se, na véspera à noite, no Itamaraty, pela primeira vez. O grupo é presidido pelo assessor especial da Controladoria-Geral da União e auditor-fiscal da Receita Federal, Dionísio Carvalhedo Barbosa. O objetivo da comissão é analisar a decisão do diplomata Eduardo Saboia, encarregado de negócios na Bolívia (o equivalente a embaixador interino), que assumiu ter conduzido todo o processo para retirar Pinto Molina da embaixada brasileira, onde estava há 15 meses. Ao justificar sua decisão, Saboia criticou a falta de ação do grupo de trabalho, do qual fazia parte o embaixador Baena Soares, que pediu para ser retirado da comissão. A decisão de instaurar uma comissão de sindicância para apurar responsabilidades sobre a retirada do senador boliviano foi anunciada na segunda-feira, pelo Itamaraty. O alvo do inquérito é Saboia. A amigos, Saboia disse que não se manifestará mais publicamente sobre o assunto até que a comissão conclua a sindicância. Porém, antes, ele alegou ter tomado a iniciativa porque o senador boliviano estava deprimido e falava em se suicidar. Saboia pode ser alvo de uma série de punições que podem ir de simples advertência oral, passando por uma escrita, pela suspensão temporária até a exoneração. Com mais de 20 anos de carreira, o diplomata é elogiado por superiores e colegas como um profissional sério, dedicado e disciplinado. Nos últimos meses, ele se queixava da tensão causada pela indefinição sobre Molina. Direita do Itamaraty Para o deputado Cláudio Puty (PT-PA), que, no início do ano, foi à Bolívia em missão da CPI do Trabalho Escravo, a fuga do senador Roger Pinto Molina não foi fruto de ação isolada de um funcionário do segundo escalão naquele país. Puty afirmou a jornalistas que a ação foi organizada pela direita com apoio de setores conservadores do ministério das Relações Exteriores, contrários aos governos progressistas latino-americanos e defensores do agronegócio. Em consequência do envolvimento do episódio, a presidente Dilma Rousseff demitiu o ministro das Relações Exteriores, Antônio Patriota. O parlamentar disse que, em março, ao ir à Bolívia, conheceu os três principais envolvidos na história: o então embaixador do Brasil naquele país, Marcel Biato, que acolheu o pedido de asilo político do senador, o diplomata brasileiro Eduardo Sabóia, que diz ter organizado sozinho a fuga do político, e o senador Roger Pinto Molina. Proprietário de terras na fronteira com o Acre, Molina é o principal porta-voz do agronegócio no país. Desde seu ingresso na política, seu patrimônio cresceu 290% para US$ 1 milhão. – Esta foi uma ação sem precedente na história da diplomacia brasileira. Como pode um diplomata patrocinar a fuga de um criminoso comum, à revelia do governo brasileiro, escondido do governo boliviano e com o apoio explícito da direita brasileira, que já o aguardava na fronteira do país? –questionou Puty.
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