Itamaraty acompanha, de longe, desrespeito à soberania da Bolívia na Europa
Presidente da Bolívia, Evo Morales já havia pousado em La Paz, nesta quarta-feira, após os protestos mais indignados de todos os países vizinhos, exceto o Brasil.
Patriota não se pronunciou sobre a posição do Brasil diante do desrespeito ao presidente boliviano, Evo Morales, na Europa
Presidente da Bolívia, Evo Morales já havia pousado em La Paz, nesta quarta-feira, após os protestos mais indignados de todos os países vizinhos, exceto o Brasil. O Correio do Brasil, em contato com o Ministério das Relações Exteriores, foi informado no final da manhã que não havia sequer previsão para um pronunciamento do chanceler Antônio Patriota sobre o ocorrido com o mandatário boliviano, em solo europeu.
Minutos após tomar conhecimento dos fatos, ainda na noite passada, o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, cobrou explicações dos governos que proibiram o ingresso do avião do presidente da Bolívia, Evo Morales, nos seus espaços aéreos. Em comunicado, até o conservador Insulza se disse “profundamente incomodado” e ressaltou que “nada justifica uma ação de tanto desrespeito”.
Evo Morales foi impedido de seguir viagem na volta da Rússia, o que pode constituir uma violação do direito internacional e uma ofensa dos europeus "a todo um povo", disse o presidente. Ao retornar da Rússia, Evo recebeu a ordem de que seu avião não poderia ingressar nos espaços aéreos da França, da Itália e de Portugal, segundo autoridades bolivianas, por suspeitas de que o ex-agente estadunidense Edward Snowden estivesse a bordo. Morales foi obrigado a desviar a rota e a aguardar autorização para seguir viagem em Viena, na Áustria.
Os presidentes Ollanta Humala (Peru), Cristina Kirchner (Argentina), José Pepe Mujica (Uruguai) e Rafael Correa (Equador) também se apressaram em se solidarizar com o colega boliviano. Os líderes avaliam a hipótese de convocar uma reunião extraordinária da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) para avaliar o tema.
O presidente boliviano contou que o embaixador espanhol em Viena, Alberto Carnero, esteve no aeroporto e pediu que ele tomasse o café da manhã dentro do avião.
– Para ver o avião e, no fundo, querer controlá-lo. Não sou nenhum criminoso para que me controlem o avião – ressaltou, no aeroporto de Viena, onde reuniu-se com o presidente da Áustria, Heinz Fischer.
Nos Estados Unidos, Snowden é acusado de espionagem e está na Rússia à espera da concessão de asilo político, já que revelou um programa estadunidense de espionagem das telecomunicações. Snowden pediu asilo a 21 países, inclusive ao Brasil.
– Sinto que foi um pretexto para amedrontar-me, intimidar-me –, disse Morales, “para tratarem de nos calar contra a luta das políticas de saqueio, contra as invasões e a dominação”, completou, em uma coletiva de imprensa, antes de embarcar para a Bolívia na manhã desta quarta-feira.
O presidente disse ter se sentido como um “sequestrado”, e afirmou que não permitiu que o embaixador espanhol subisse no avião presidencial: “O presidente tem imunidade inviolável, tem seu direito a transitar por qualquer parte do mundo. Eu rechacei por dignidade, tenho a obrigação de defender a dignidade, a soberania, porque isso não é uma ofensa ao presidente, é a todo um povo, é a toda uma região, como a América Latina”.
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