Rio de Janeiro, 14 de Maio de 2026

Itamar Franco divulga nota falando em conciliação

Um dia após ter provocado mal-estar na equipe de transição de governo, acusando o Partido dos Trabalhadores (PT) de bloquear a ajuda para o pagamento do funcionalismo público em seu estado, o governador de Minas Gerais, Itamar Franco, divulgou uma nova nota oficial neste sábado, desta vez pregando a conciliação.

Sábado, 30 de Novembro de 2002 às 22:10, por: CdB

Um dia após ter provocado mal-estar na equipe de transição de governo, acusando o Partido dos Trabalhadores (PT) de bloquear a ajuda para o pagamento do funcionalismo público em seu estado, o governador de Minas Gerais, Itamar Franco, divulgou uma nova nota oficial neste sábado, desta vez pregando a conciliação. Itamar, que antes havia acusado o PT de tratá-lo como adversário e de esquecer o apoio que dera à campanha de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência, se disse frustrado, mas amenizou o tom das críticas. A nota foi divulgada pela assessoria de Itamar, do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), após o governador ter conversado por telefone com seu sucessor eleito, Aécio Neves, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), que lhe disse que a questão estará solucionada na segunda-feira. No centro da discussão está a Medida Provisória do governo de Fernando Henrique Cardoso, que liberaria recursos para o ressarcimento de despesas com a manutenção de rodovias federais que cortam Minas Gerais, no valor de R$ 1,2 bilhão. A verba seria repassada ao pagamento do décimo terceiro dos funcionários públicos do estado. Na sexta-feira, Itamar divulgou uma primeira nota, acusando diretamente o coordenador da equipe de transição do PT, Antonio Palocci, de impedir a aprovação da MP. O governador chegou a questionar a autoridade de FHC. "O que nos resta perguntar é quem é afinal, hoje, o presidente da República: o ex-prefeito de Ribeirão Preto ou o professor Fernando Henrique?", dizia um trecho da nota. Palocci não gostou da acusação e respondeu: "O PT não vetou nenhuma MP, mesmo porque não temos poder de veto e nem estamos atuando nesses termos na transição". Ainda segundo o coordenador, havia, por parte do PT, apenas uma preocupação com a questão fiscal inerente à aprovação da MP. "Não queremos que haja despesa sem receita", disse. "Se tem recursos para fazê-lo, o governo tem o dever de fazê-lo. E nem precisa nos consultar". Na nota que divulgou neste sábado, Itamar elogiou a disposição do presidente Fernando Henrique para encontrar uma solução, acrescentando que o momento atual requer "conciliação". Veja a íntegra da nota: "A não edição da Medida Provisória referente aos créditos de Minas com a União na última quarta-feira, solicitada para exame do futuro governo, causou-me grande frustração. Devo reconhecer, porém, que em todos os contatos que tive com o presidente Fernando Henrique, o mesmo se mostrou amigo e receptivo para uma solução. Ambos examinamos várias alternativas, sempre atentos ao equilíbrio fiscal. Continuo confiante em que o presidente da República encontre o mais rápido possível o caminho mais adequado ao atendimento desde justo crédito do povo mineiro. O momento exige conciliação face aos interesses nacionais e participação da nossa Minas".

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