As eleições regionais da Itália, realizadas sob o cenário da morte do papa João Paulo II, entraram nesta segunda-feira no seu segundo e último dia, em meio a temores de que o luto afaste muitos eleitores das urnas.
O pleito - que recebe pouca atenção no país de maioria católica em luto pelo papa - também foi marcado pela controvérsia sobre cartazes em homenagem ao papa colocados por partidos horas antes da abertura das urnas.
O Ministério do Interior determinou neste domingo a remoção de centenas de cartazes de muros de Roma e Nápoles. A Aliança Nacional, membro do governo, foi um dos partidos que estampou cartazes.
A lei italiana proíbe comunicação partidária durante a eleição e os partidos, incluindo o Margherita, do principal líder da oposição, Romano Prodi, foram acusados de usar o papa para fins políticos.
- Não tenho problema em dizer: A Aliança Nacional errou em Nápoles, bem como o Margherita e o DS (de esquerda) em Roma. A morte do papa não deveria ser usada para campanha eleitoral enquanto as urnas ainda estão abertas - disse a prefeita de Nápoles, Rosa Russo Jervolino, segundo o jornal Corriere della Sera.
Os partidos negaram qualquer intenção de usar o papa com objetivos políticos e disseram que os líderes não foram consultados.
Uma série de polêmicas marcou a campanha eleitoral depois de acusações de falsificação, roubo de informação por computador e intimidação.
O índice de comparecimento às urnas estava em 55,2% no final deste domingo. O ministro do Interior, Giuseppe Pisanu, fez um apelo para os eleitores votarem apesar do luto. A eleição é considerada um teste para o governo do primeiro-ministro Silvio Berlusconi antes da eleição geral do próximo ano.
Algumas especialistas em pesquisas afirmam que o governo vai enfrentar nas urnas o descontentamento com economia estagnada da Itália. Berlusconi vem preparando seus aliados para a possível perda de alguns governos regionais. Sua coalizão tem atualmente oito dos 14 governos regionais em disputa - a Itália é formada por 20 regiões.