Rio de Janeiro, 14 de Setembro de 2026

Itália prende grupo acusado de exploração infantil no Brasil

Terça, 14 de Dezembro de 2004 às 17:08, por: CdB

A polícia italiana prendeu nesta terça-feira uma quadrilha que organizava turismo sexual, inclusive com crianças, para a cidade de Fortaleza.

Entre os presos está a brasileira Angélica Ribeiro, de 31 anos, seu marido, o italiano Luigi Meraglia, de 48 anos, e outros dois donos de agências de viagens.

Depois de mais de um ano investigando proprietários de sete empresas de turismo em diversas partes da Itália, as autoridades conseguiram prender em flagrante os três homens e a brasileira, acusados de enviar todos os anos pelo menos mil italianos à capital cearense.

Os presos são acusados de explorar a prostituição infantil no Brasil e são proprietários de agências de turismo nas cidades de Torino, Palermo, Roma e Caltanissetta.

Parceria

A polícia acredita que Angélica e Meraglia sejam os chefes do grupo.

Se forem condenados pelos crimes de associação para delinqüir com a finalidade de turismo sexual e exploração da prostituição infantil, eles podem pegar de seis a 12 anos de prisão.

- Estávamos acompanhando os passos dessas pessoas há um ano e meio - disse à BBC Brasil Dania Manti, coordenadora das investigações.

- Conseguimos prendê-los graças a importante colaboração da polícia brasileira.

Menores

Dania explicou que a operação organizada pelo comando de polícia de Roma estava investigando apenas as sete agências de viagens.

Ela acredita que o número de pessoas envolvidas na organização do turismo sexual e de viajantes italianos seja muito maior.

Durante o período de investigações, os policiais fingiram ser turistas a procura de aventura com meninas brasileiras e acabaram filmando e fotografando os movimentos dos italianos envolvidos com a prostituição infantil na capital do Ceará.

A última operação foi feita há pouco mais de um mês, quando quatro policiais de Roma estiveram infiltrados num grupo de dezenas de italianos enviados a Fortaleza pelas agências de viagens envolvidas no caso.

Alberto Intini, chefe da operação que capturou os quatro acusados, disse que os turistas italianos pagavam em torno de 2 mil euros pela viagem, incluindo hotel e a garantia de fazer sexo com menores de idade.

Investigação

De acordo com ele, o preço poderia variar para mais, ou para menos, de acordo com a duração da viagem.

Segundo Intini, a Polícia Federal brasileira trabalhou todo o tempo com os agentes italianos, realizando investigações em Fortaleza.

A blitz realizada no início da madrugada foi coordenada pela Procuradoria da República da capital italiana.

Além das prisões nas quatro cidades, também foram feitas operações, sem o registro de detenções, em Catanzaro, San Benedetto del Tronto e Catania, onde pessoas que estiveram no Brasil recentemente, uma ou mais vezes, foram procuradas em suas casas.

Garantia

As capturas foram possíveis graças a uma lei aprovada em 1998 contra o fenômeno do turismo sexual, principalmente, tendo o Brasil como destino. A normativa italiana foi utilizada hoje pela primeira vez.

Não é a primeira vez que italianos são envolvidos nesse tipo de crime. No final de outubro, a Polícia Federal prendeu no Rio de Janeiro um grupo de 11 pessoas, envolvidos com turismo sexual e pedofilia, entre eles quatro italianos.

O grupo foi acusado de vender pela Internet pacotes de viagens a Recife e Fortaleza, com a garantia para os turistas de ter como acompanhantes prostitutas, incluindo até uma menina de cinco anos de idade.

Os pacotes eram vendidos através de uma página na internet que já foi desativada.
Pela garantia de ter sexo com uma brasileira, os clientes pagavam mil euros adicionais ao preço da viagem.

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