Rio de Janeiro, 31 de Março de 2026

Itália pode enviar até 3 mil soldados ao Líbano

Terça, 22 de Agosto de 2006 às 07:54, por: CdB

A Itália pretende contribuir com entre 2 mil e 3 mil soldados para as forças de paz da Organização das Nações Unidas (ONU) no Líbano. Isso se Israel não violar o cessar-fogo em vigor desde segunda-feira da semana passada.

O país europeu deve liderar a força ampliada e, na terça-feira, o ministro italiano das Relações Exteriores, Massimo D'Alema, pediu a realização de um encontro de chanceleres de União Européia (UE) já na sexta-feira, em Bruxelas, para saber com quantos soldados os países-membros do bloco pretendiam colaborar.

- Quantos militares serão enviados pelos outros países? Essa é a pergunta que importa" -  afirmou o ministro de Defesa da Itália, Arturo Parisi.

D'Alema estimou que a contribuição italiana - a maior, até agora, a ser feita por qualquer país - representaria cerca de um terço do total de soldados enviado da Europa.

A contribuição européia somaria então algo entre 6 mil  e 9 mil soldados a ingressarem em uma força que conta com uma autorização da ONU para se ampliar a 15 mil integrantes.

Outros países europeus estão preocupados com as regras de engajamento dessa força. Os contingentes europeus são considerados vitais para que a ONU consiga enviar, conforme o previsto, mais 3.500 militares à região até o dia 2 de setembro.

A Finlândia, que assume atualmente a presidência da União Européia, convidou o chefe da ONU, Kofi Annan, para comparecer à reunião nesta sexta-feira.

Antes das negociações marcadas para quinta-feira com a ministra das Relações Exteriores de Israel, Tzipi Livni, D'Alema disse que mesmo a Itália não teria condições de mandar os soldados ao Líbano se o Estado judaico "continuar atirando".

- De Israel, esperamos um esforço renovado, um esforço desta vez realmente sério, de respeitar o cessar-fogo - afirmou o chanceler ao jornal La Repubblica, dois dias depois de o governo israelense ter pedido à Itália para liderar a força.

- É justo esperar que o Hezbollah deponha suas armas, mas não podemos enviar nossos soldados para o Líbano se o Exército (de Israel) continuar atirando - disse.

Os comentários surgiram depois de um comando israelense ter, no sábado, realizado um ataque no vale do Bekaa, no leste do Líbano. Essa ação foi descrita pela ONU como uma violação da trégua.

França

Além da Itália, outros países europeus que podem contribuir com soldados são Espanha, Bélgica e Holanda. D'Alema ainda afirmou ter esperanças de que a França reconsidere sua oferta de enviar apenas 200 militares. Esperava-se, inicialmente, que os franceses enviassem ao menos 2 mil soldados para o sul do Líbano.

- No final, acho que mesmo a França participará de uma forma mais efetiva - disse.

- Mas, mesmo que a França não reconsidere sua postura, vamos continuar com nossos planos - afirmou.

O chanceler disse que a Alemanha contribuiria com dinheiro e com "mezzi", uma palavra italiana que pode significar desde veículos terrestres a aeronaves. D'Alema também afirmou que o governo alemão pode oferecer o envio de equipes de especialistas.

D'Alema se reunirá com Livni em Roma, na quinta-feira, para discutir os esforços em torno da força de paz.

Quase 1.200 pessoas no Líbano e 157 em Israel foram mortas durante a guerra iniciada depois de o Hezbollah ter capturado dois soldados israelenses, no dia 12 de julho, em uma operação realizada a partir do território libanês.

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