BRUXELAS, NÁPOLES, PALERMO, ROMA, 5 AGO (ANSA) - As autoridades da Itália acusaram a OTAN de não atender a uma solicitação da Marinha italiana em prestar auxílio a um barco de imigrantes líbios no Mar Mediterrâneo e entraram hoje com um pedido de investigação formal para esclarecer o fato.
A Chancelaria italiana (Farnesina) comunicou que o chanceler Franco Frattini deu instruções ao representante permanente italiano junto à coalizão internacional para solicitar uma investigação sobre as causas da suposta negação de ajuda.
A embarcação tinha saído da Líbia na semana passada com 374 imigrantes e foi resgatado ontem pela Guarda Costeira italiana quando se aproximava da ilha de Lampedusa, uma das principais entradas de imigrantes ilegais na Itália e na Europa. Entre os passageiros havia 46 mulheres e duas crianças, segundo fontes da organização Save the Children.
Algumas pessoas encontravam-se com a saúde debilitada, e cinco foram resgatadas por um helicóptero. Duas mulheres estavam em situação mais grave e foram levadas para um hospital em Palermo, na região da Sicília.
Cerca de 50 pessoas foram atendidas pelas estruturas sanitárias da ilha por causa de hipotermia e desidratação. Uma nigeriana recém-nascida, Debra, foi a única que chegou a Lampedusa em perfeitas condições de saúde, uma vez que a mãe lhe deu de mamar durante os sete dias de travessia.
Após o resgate, o chanceler italiano pediu que previsão de proteção e socorro a refugiados de guerra que se arriscam em barcos para fugirem de conflitos seja incluída entre as funções da missão internacional na Líbia com base nas resoluções da Organização das Nações Unidas (ONU) de 1970 e de 1973.
O chefe de Estado maior da Defesa, Biagio Abrate, solicitou ao chefe da OTAN, Gianpaolo Di Paola, e ao comandante da Operação Unified Protector, Charles Bouchard, "uma ação de sensibilização sobre o aspecto humanitário das operações em ação", após negar o envolvimento de navios italianos na suposta falta de socorro.
"Em caso de pedido de socorro, as unidades navais nacionais, como a de todas as outras nações, agem rapidamente aderindo aos acordos internacionais e ao código da navegação, com referência explícita à salvaguarda da vida humana no mar", atestou.
Em resposta à acusação, a liderança da OTAN, sediada em Bruxelas, afirmou hoje que o comando marítimo da aliança enviou três navios e um helicóptero de auxílio após receber ontem o pedido de ajuda da Marinha italiana.
Segundo a porta-voz da coalizão, Carmen Romero, "a dinâmica do incidente ainda está sob investigação e estamos trabalhando com estreito contato com as autoridades italianas para esclarecer o que ocorreu".
Ontem à noite, o porta-voz do quartel general marítimo da coalizão de Nápoles, David Taylor, não comentou diretamente o caso, mas atestou que as forças internacionais "respondem e intervêm sempre em situações de emergência, respeitando as leis internacionais". (ANSA)
Itália pede investigacão sobre falta de auxílio da Otan a barco de imigrantes
Sexta, 05 de Agosto de 2011 às 10:47, por: CdB