ROMA, 13 JUL (ANSA) - A Itália anunciou hoje que deverá retirar todos os seus soldados da "linha de frente" da operação militar no Afeganistão até 2014 para dar lugar às forças de segurança do próprio país.
Segundo o ministro de Defesa do país, Ignazio La Russa, "o objetivo é chegar em 2014 com zero homens na linha de frente" no Afeganistão, quando então as tropas italianas devem se concentrar no trabalho de "apoio, assistência e treinamento" das forças de ordem locais.
Chamado para uma audição na Câmara dos Deputados, o ministro detalhou que a partir de 2012, as autoridades afegãs deverão assumir "progressivamente" a responsabilidade pela segurança.
O chanceler italiano, Franco Frattini, observou, porém, que "o redimensionamento e a transição não poderão significar o abandono [da missão] por parte da Itália", afirmando, entre seus argumentos, que "sem estabilidade no Paquistão, seria ilusória uma estabilidade duradoura no Afeganistão".
O ministro garantiu ainda que a Itália "continuará um parceiro confiável" nas alianças internacionais que mantém.
O anúncio ocorre um dia após a morte de um militar italiano, Roberto Marchini, em seu último dia de missão no Afeganistão.
Morto por uma explosão de uma bomba no distrito de Bakwa, ele foi o 24º soldado da Itália a morrer no país por conta de um explosivo. Em sete anos de missão, 40 militares do país morreram ao todo, sendo que 30 foram vítimas de atos hostis.
Frattini disse os italianos estão "orgulhosos" do trabalho de Marchini, que, segundo ele, morreu por uma "causa nobre". O funeral do soldado ocorrerá na tarde de amanhã, segundo anunciou o próprio La Russa na audição da Câmara.
França, Espanha, Grã-Bretanha e Estados Unidos também já anunciaram a saída progressiva de suas tropas do Afeganistão para os próximos três anos.
A retirada das tropas por parte da Itália está inserida em um plano de corte de gastos militares anunciado na semana passada e dias antes da aprovação de um plano de austeridade econômica que cortará 47 bilhões de euros (RS$ 103,8 bilhões) do orçamento italiano.
De acordo com La Russa, o governo italiano encontrou o equilíbrio entre a necessidade de "reduzir o número dos militares empenhados no exterior" e dos "custos" e a de manter os "empenhos internacionais" em missões militares.
A Itália deverá mandar mais de dois mil soldados voltarem a seu país natal no segundo semestre deste ano, passando de um orçamento de mais de 800 milhões de euros (R$ 1,7 bilhão) do primeiro semestre para 694 milhões de euros (R$ 1,5 bilhão) ao seguinte.
No anúncio feito na semana passada por La Russa e pelo ministro da Simplificação Normativa, Roberto Calderoli, a missão no Afeganistão era a única que não estava dentro do corte de gastos previstos para até o fim do ano.
O titular de Defesa chegou a assegurar que, em território afegão, os investimentos para segurança seriam aumentados e apenas em 2012 o envolvimento italiano no país seria avaliado. (ANSA)
ITÁLIA ANUNCIA RETIRADA DE TROPAS 'DA LINHA DE FRENTE' NO AFEGANISTÃO ATÉ 2104
Quarta, 13 de Julho de 2011 às 09:31, por: CdB