Rio de Janeiro, 10 de Outubro de 2026

Itália acusa NATO de abandonar refugiados da Líbia

Domingo, 07 de Agosto de 2011 às 17:23, por: CdB

A Itália acusou a NATO de não ter socorrido um barco de refugiados da guerra da Líbia à deriva no Mediterrâneo tentando alcançar a ilha italiana de Lampedusa. Roma pediu um “inquérito oficial” aos acontecimentos, que provocaram, segundo testemunhas, dezenas de mortos, sobretudo mulheres.Artigo |8 Agosto, 2011 - 00:11Roma pediu um “inquérito oficial” aos acontecimentos, que provocaram, segundo testemunhas, dezenas de mortos, sobretudo mulheres.

Não é a primeira vez navios de guerra ao serviço da NATO na agressão contra a Líbia são acusados de se recusar a socorrer refugiados provocados por essa mesma guerra. Também não é a primeira vez que a NATO desmente as acusações afirmando que os comandantes da frota de agressão estão “cientes” dos seus “compromissos perante o direito internacional”. A versão voltou a ser divulgada pelo porta voz da aliança em Nápoles, David Taylor.

A NATO foi anteriormente acusada de ter deixado à sua sorte um barco com centenas de refugiados perdidos nas águas mediterrânicas em circunstâncias nas quais era impossível não ter sido visto. Um helicóptero da aliança chegou a sobrevoar a embarcação, distribuiu alguns víveres e água e desapareceu sem que mais nada acontecesse.

Desta feita, a Itália, país da NATO, assume a acusação directa à Aliança, cujos navios se terão abstido de socorrer um barco que esteve uma semana à deriva no Mediterrâneo antes de conseguir alcançar Lampedusa na sexta-feira. Um passageiro, de nacionalidade marroquina, explicou que a bordo chegaram a estar 300 refugiados, mas que cerca de uma centena, sobretudo mulheres, morreram de fome e sede vendo-se os restantes passageiros na necessidade de lançar os cadáveres ao mar.

Franco Frattini, ministro italiano dos Negócios Estrangeiros, propôs o alargamento do mandato das Nações Unidas sobre a Líbia à obrigação de os navios da NATO socorrerem os refugiados. Além disso, pediu um inquérito oficial aos acontecimentos.

Há semanas que a Itália contesta comportamentos da NATO na Líbia, uma intervenção que o primeiro ministro, Silvio Berlusconi, declarou recentemente não ser do seu agrado.

O tráfego de refugiados da Líbia está actualmente nas mãos de redes mafiosas que têm o seu espaço de intervenção na cidade de Benghazi, zona controlada pelo Conselho Nacional de Transição reconhecido como legítimo representante da Líbia pelos Estados Unidos e numerosos países da União Europeia, entre os quais Portugal.

Artigo publicado no site do Bloco de Esquerda no Parlamento Europeu

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