Forças israelenses retiraram-se de dois importantes bairros de um campo de refugiados de Gaza, na segunda-feira, deixando para trás cenas de destruição e 42 palestinos mortos depois de um cerco de seis dias que provocou críticas internacionais.
Mas mesmo durante a retirada, testemunhas disseram que soldados atiraram contra um funeral. Médicos disseram que um homem ficou gravemente ferido. Oficiais do Exército de Israel não comentaram o episódio.
Moradores ressabiados que se aventuraram a sair dos bairros de Tel Sultan e de Brazil, no campo de Rafah, imploravam por água ao se confrontarem com casas demolidas, estufas destruídas e ruas em destroços inundadas pelo esgoto após a passagem dos tanques israelenses.
Uma fonte militar israelense disse que a retirada é parte de um "novo reposicionamento" para "facilitar as condições", permitindo que os moradores saiam de casa para estocar comida, água e remédios.
Tel Sultan foi um dos principais alvos da maior ação israelense em Gaza em anos, iniciada após a morte de 13 soldados em emboscadas. O Exército disse que seu objetivo era procurar militantes e destruir túneis usados para o contrabando de armas através da fronteira com o Egito.
"Parece um terremoto," disse o morador Sami Fuja.
Equipes municipais apressaram-se para arrumar linhas de energia e canos estourados em áreas onde as pessoas ficaram sem água corrente durante dias e jogaram areia sobre piscinas de esgoto.
"Quando uma das crianças diz que quer água, eu jogo algumas gotas na sua boca," disse Yousef al-Nala, pai de seis crianças. Abdul Aziz Shahin, legislador local, disse à Reuters: "Nossa infra-estrutura não foi somente destruída, ela deixou de existir."
Pelo menos cinco casas foram destruídas e dezenas seriamente danificadas. O Exército disse que muitos edifícios foram atingidos por explosivos colocados por militantes e pelos combates entre soldados e homens armados.
As imagens de refugiados andando entre os destroços de casas destruídas em Rafah provocaram críticas mundiais, incluindo uma rara censura dos Estados Unidos, e causaram uma disputa no gabinete de Ariel Sharon.
A violência cresceu em Gaza desde que Sharon apresentou seu plano unilateral de retirada da região e obteve apoio dos EUA. Sharon deverá apresentar ao seu gabinete uma nova versão do plano de retirada de 7.500 colonos israelenses, que vivem em enclaves fortemente vigiados em meio a 1,3 milhão de palestinos, no dia 30 de maio.