Abalado por múltiplos escândalos, o primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, sofreu um novo golpe nesta sexta-feira, quando uma pesquisa realizada pelo principal jornal do país mostrou que, pela primeira vez, a população quer sua renúncia. O ex-general prometeu superar a tempestade provocada por acusações de corrupção e irregularidades, que ele nega.
A pesquisa do Yedioth Ahronoth concluiu que 53% dos entrevistados acham que Sharon deve renunciar, enquanto 43% querem que ele fique no cargo. Foi uma chocante reviravolta para o líder de 76 anos, eleito por ampla maioria em 2001 e 2003.
Um confidente do premiê atribuiu os problemas de Sharon a adversários ``de extrema direita'' do plano unilateral pelo qual o governo pretende abandonar assentamentos na Faixa de Gaza e em parte da Cisjordânia.
Os inimigos políticos de Sharon, de acordo com essa fonte, querem derrubar seu antigo aliado. Sharon já avisou aos palestinos que as medidas unilaterais nos assentamentos vão deixá-los com menos território do que querem para criar um Estado.
Já sob investigação em dois casos de corrupção, Sharon enfrentou mais problemas nesta semana, quando o jornal Maariv o acusou de cometer erros numa recente troca de prisioneiros com o Hizbollah.
Ao contrário dos escândalos anteriores - um deles envolvendo um empreendimento imobiliário grego e outro um empréstimo de um amigo estrangeiro - os israelenses não viram muito mistério no caso mais recente.
Ele diz respeito àquilo que os israelenses chamam de ''protekzia'', uma prática comum neste pequeno país, onde há muitos laços forjados na família, na escola e no Exército e que alimentam redes de favores.
Em sua reportagem, o Maariv diz que Sharon já teve relações comerciais com o sogro de Elhanan Tannenbaum, um empresário israelense e ex-coronel do Exército libertado em 29 de janeiro pelo Hizbollah, em troca de 400 presos árabes.
A notícia sugere que essas ligações, que remontam à década de 1970, influenciaram a decisão de Sharon de defender a libertação de Tannenbaum, apesar das suspeitas de que o refém havia se envolvido em negócios escusos antes de ser sequestrado no Líbano, em 2000.
Sharon, aparentemente ciente do impacto dessa acusação sobre sua popularidade, foi imediatamente à TV negar que estivesse ciente de que Tannenbaum é parente de um agricultor, hoje de 89 anos, que no passado ajudou o premiê a administrar sua fazenda.
``É possível que Sharon realmente não soubesse? Talvez'', disse Dan Margalit, popular colunista do Maariv. ``É muito provável? Realmente não''.