Rio de Janeiro, 28 de Março de 2026

Israelenses matam cinco palestinos a tiros na Faixa de Gaza

Quinta, 21 de Setembro de 2006 às 10:26, por: CdB

Um pelotão de soldados israelenses matou a tiros cinco palestinos na Faixa de Gaza nesta quinta-feira, no dia mais violento no território em várias semanas. Em Rafah, no sul de Gaza, foram mortos uma mulher de 35 anos e um homem armado, numa operação em um reduto militante. No norte de Gaza, os soldados mataram três adolescentes, que segundo os palestinos eram apenas pastores, mas que segundo o Exército israelense estavam consertando um lançador de foguetes. Dois foguetes haviam sido lançados daquela área, danificando um prédio em Israel.

Os incidentes aconteceram depois de o Egito anunciar progressos nos esforços para libertar o soldado israelense capturado em Gaza no dia 25 de junho, numa operação que provocou uma forte ofensiva israelense, na qual 215 palestinos já morreram. O grupo militante Hamas, que está no governo palestino, recebeu bem a declaração do Quarteto endossando o empenho pela criação de um novo governo de unidade nos territórios palestinos, que possa pôr fim ao isolamento internacional dos territórios.

Em nota divulgada na quarta-feira, os integrantes do Quarteto (Estados Unidos, União Européia, ONU e Rússia) disseram que o governo de unidade deve "refletir" as exigências de reconhecer Israel, renunciar ao terrorismo e adotar as resoluções dos acordos de paz já existentes. O Quarteto não exigiu que o governo palestino cumpra explicitamente as três condições. Além disso, pediu que Israel entregue os impostos palestinos que vinha retendo.

Sami Abu Zuhri, porta-voz do Hamas, disse que a nota foi um sinal de progresso: "Esperamos que essa posição contribua para acabar com todas as formas de cerco político e econômico".

Israel reagiu com cautela à declaração, e houve quem dissesse que se tratava de um enfraquecimento da campanha internacional para isolar o governo liderado pelo Hamas, eleito por voto direto e que tomou posse em março.

- Dar legitimidade a extremistas que não aceitarem os três critérios só vai minar a posição dos moderados - disse Mark Regev, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Israel.

Silvan Shalom, ex-ministro do Likud, acusou o premiê Ehud Olmert de dar sinal verde para uma mudança de política em relação aos palestinos, por ter concordado em se reunir com o presidente Mahmoud Abbas com o Hamas ainda no poder. Uma pesquisa divulgada pelo jornal diário de maior circulação de Israel, o Yedioth Ahronoth, mostrou que apenas 7 por cento dos entrevistados acreditam que ele é o ideal para o cargo de premiê, atrás de dois parlamentares de direita e um ministro de seu próprio gabinete.

Fonte do governo israelense disse que os EUA só concordaram em amenizar a posição do Quarteto na nota porque não acreditam que os palestinos consigam formar o governo de unidade. As tensões entre o movimento de Abbas, o Fatah, e o Hamas cresceram na semana passada com a morte de um oficial de inteligência leal a Abbas. O Hamas foi acusado de não evitar o ataque e não perseguir seus culpados. O grupo afirma que a acusação tem motivações políticas.

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