Rio de Janeiro, 06 de Abril de 2026

Israelenses e palestinos aguardam decisão do Egito para resolver crise

Sexta, 30 de Junho de 2006 às 08:52, por: CdB

Israelenses e palestinos aguardam o resultado de uma gestão diplomática do presidente do Egito, Hosni Mubarak, para resolver a crise militar e humanitária em Gaza, após o seqüestro de um soldado israelense e a incursão do Exército de Israel em território palestino.

Segundo fontes palestinas citadas, nesta sexta-feira, pela rádio pública israelense, o plano de Mubarak consiste na troca do soldado seqüestrado Gilad Shalit por prisioneiros palestinos que estão prestes a terminar a sentença em prisões de Israel.

Funcionários dos escritórios do primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, e da titular de Exteriores israelense, Tzipi Livni, dizem não saber do suposto plano, e reiteram que "Israel não negociará com terroristas".

Segundo Mubarak, em entrevista ao jornal egípcio "Al-Ahram", a libertação de prisioneiros "a ponto de completar a sentença" - se não tiverem sido julgados por homicídio - tem precedentes em dois acordos entre Israel e o ex-presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Yasser Arafat.

O presidente egípcio disse ao "Al-Ahram" que mantém contatos com representantes de ambas as partes, e que "os primeiros resultados são positivos". Por este motivo, Mubarak pediu a Olmert que detivesse a anunciada ofensiva de ontem contra o norte de Gaza.

As Forças Armadas de Israel lançaram, na quarta-feira, a operação "Chuva de Verão" para resgatar o soldado seqüestrado, que até agora não foi encontrado.

Enquanto isso, dois terços da população palestina estão sem serviços básicos, como eletricidade.

Após a destruição da usina central de eletricidade de Gaza, há dois dias, a aviação israelense bombardeou nesta madrugada mais de 20 depósitos de armas e campos de treinamento das milícias palestinas. Também foram atingidos os escritórios do ministro do Interior da ANP, Said Siyam, mas não houve qualquer informação sobre a existência de vítimas.

- A menos que consiga eletricidade e combustível, a população vai em direção ao abismo -  disse aos jornalistas em Gaza o coordenador de operações de emergência da ONU, Jan Egeland.

- Em poucos dias, veremos aqui uma grande crise humanitária - acrescentou.

A primeira vítima fatal em Gaza desde o começo da operação foi o miliciano da Jihad Islâmica Mohammed Abdelal, de 25 anos, que morreu, nesta sexta, devido aos ferimentos sofridos em um ataque.

O Hamas, que exerce o Governo da ANP na faixa autônoma de Gaza, os Comitês Populares da Resistência e o desconhecido "Exército Islâmico" assumiram a responsabilidade pela captura do soldado Gilad Shalit na base de Telem.

O Governo israelense exige a libertação de Shalit sob a ameaça de intensificar as operações militares. Por enquanto, Israel espera conseguir seu objetivo através da pressão internacional sobre o Governo do Hamas, que já sofre um boicote desde que o primeiro-ministro da ANP, Ismail Haniyeh, assumiu seu posto há menos de quatro meses, após vencer as eleições palestinas de janeiro.

A detenção na quinta-feira de 87 líderes do Hamas, entre eles 10 ministros e 23 parlamentares, deixaram a ANP com metade do Governo.

Segundo fontes palestinas, o presidente Mahmoud Abbas poderia criar um "Governo de emergência".

Nas últimas 24 horas, Livni falou com a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, com o alto representante para a Política Externa e de Segurança Comum da União Européia (UE), Javier Solana, e com o secretário-geral da ONU, Kofi Annan.

As operações israelenses têm como objetivo resgatar o soldado Shalit e pôr fim aos ataques de milícias palestinas contra localidades israelenses a partir de terrenos desabitados do norte de Gaza.

Por enquanto, as tropas que invadiram a região pelo sul continuam paradas dentro do território palestino, e não entraram em centros urbanos para resgatar Shalit.

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