Israel voltou a atacar o aeroporto de Beirute nesta sexta-feira e bombardeou estradas, estações de energia e redes de comunicação no Líbano em uma campanha militar lançada após o Hezbollah ter matado oito soldados israelenses e capturado outros dois em uma ação na fronteira.
O Hezbollah, que quer trocar os militares capturados por prisioneiros mantidos em Israel, tem lançado foguetes contra o norte do Estado judaico, no mais intenso ataque à região desde 1996.
Israel destruiu pistas do aeroporto internacional de Beirute e bombardeou uma ponte ao sul da cidade, afirmaram testemunhas. O local já estava fechado para vôos desde o primeiro ataque israelense na quinta-feira. Quatro aviões da companhia libanesa Middle East Airlines decolaram sem passageiros para Amã, na Jordânia, pouco antes do último ataque.
A aviação militar israelense também atingiu durante a noite a principal estrada que liga Beirute à capital síria, Damasco, além de bombardear alvos em subúrbios de população xiita de Beirute, matando pelo menos 3 pessoas e ferindo 40, segundo fontes dos serviços de segurança. Com isso sobe para 60 o número de pessoas, a maioria delas civis, mortas no Líbano desde o início da ofensiva israelense.
O Exército de Israel disse que o Hezbollah disparou mais de 130 mísseis contra o seu território em 48 horas, matando dois civis e ferindo mais de 100. As autoridades militares acrescentaram que o principal quartel do Hezbollah ao sul de Beirute foi um dos seus alvos atingidos nesta sexta-feira.
Uma coluna de fumaça negra subia de um depósito de combustível em chamas na usina de energia de Jiyyeh, ao sul de Beirute, enquanto navios israelenses bombardeavam a estrada costeira nas proximidades.
Várias torres de transmissão de telefonia celular foram atingidas no leste libanês. Caças israelenses também atacaram a base de um grupo palestino pró-sírio na região. Não há relatos de vítimas no local.
Israel afirma que o Líbano é responsável pelas ações do Hezbollah, um grupo islâmico financiado pela Síria e pelo Irã e que tem deputados no Parlamento e integra o gabinete do primeiro-ministro libanês.
O frágil governo de Beirute, dividido demais para desarmar a milícia xiita que controla de fato o sul do país, pediu ao Conselho de Segurança da ONU que peça a Israel que interrompa a ofensiva durante encontro nesta sexta-feira.
O primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, e a cúpula militar do país decidiram na quinta-feira ampliar a campanha de bombardeios. A decisão foi tomada após dois foguetes, que Israel diz terem sido lançados pelo Hizbollah, terem atingido a cidade portuária de Haifa, a 30 km da fronteira libanesa. Ninguém ficou ferido na ação. O Hezbollah nega ter disparado contra essa cidade.
A violência no Líbano ocorre simultaneamente a uma incursão israelense na Faixa de Gaza, iniciada no mês passado para tentar resgatar um soldado sequestrado e para impedir o disparos de foguetes pelo Hamas.
O Exército israelense disse nesta sexta-feira que suas forças deixaram a região central de Gaza e que, durante a noite, atacou um escritório do Hamas e uma ponte.
Um tanque disparou contra um carro, matando um palestino e ferindo outro, segundo médicos. Mais de 80 palestinos já morreram durante a recente ofensiva na região.