Israel disparou mísseis em Gaza e prendeu dezenas de militantes palestinos na Cisjordânia nesta terça-feira, dando prosseguimento a uma ofensiva ordenada pelo primeiro-ministro Ariel Sharon depois do lançamento de foguetes contra o sul do país.
Os ataques aéreos destruíram duas pontes e dois prédios que, segundo Israel, eram usados por militantes. Não há feridos.
A ação aconteceu horas depois que Sharon superou um desafio à sua liderança em seu partido, o Likud, provocado por membros contrários à retirada de colonos e soldados de Gaza.
Tropas israelenses prenderam 82 suspeitos na Cisjordânia, elevando para 300 o número de palestinos detidos desde que Sharon deu início à ação contra facções armadas. Elas retomaram os disparos de foguetes a partir de Gaza na semana passada pela primeira vez desde a retirada.
O ministro da Defesa israelense, Shaul Mofaz, disse que o país vai continuar sua operação enquanto os disparos de foguetes seguirem e afirmou que não descarta uma incursão terrestre em Gaza. Os disparos diminuíram desde domingo.
O principal rival do premiê no Likud, Benjamin Netanyahu, pediu nesta segunda-feira para o Comitê Central do partido antecipar a eleição primária que poderia ter retirado o ex-general Sharon da liderança.
A moção foi derrotada por 51,3% a 47,6% dos votos, evitando a antecipação das eleições e reduzindo a possibilidade de Sharon deixar o partido que ajudou a criar nos anos 1970. Se perdesse, ele poderia fundar um novo bloco centrista com amplo apoio à retirada de Gaza.
As pesquisas sugeriam vitória de Netanyahu. Mas a resposta firme de Sharon aos disparos de foguetes palestinos, com uma série de ataques aéreos que mataram quatro militantes - incluindo um comandante da Jihad Islâmica - podem ter ajudado o primeiro-ministro.
A derrota no Comitê Central foi um golpe sério para Netanyahu, ex-primeiro-ministro que deixou o ministério das finanças em agosto para lançar sua candidatura no partido. Ele argumenta que a retirada transformará Gaza em uma "base terrorista".