Israel vai destruir parte da polêmica barreira construída na Cisjordânia na véspera da primeira audiência do Tribunal Internacional sobre o caso, afirmaram autoridades neste sábado. Os palestinos intensificaram os protestos contra a estrutura de cercas e muralhas.
Trabalhadores começarão a derrubar um trecho de 8 quilômetros da barreira no norte da Cisjordânia no domingo, um dia antes do início do julgamento sobre a legalidade do projeto, em Haia. Soldados foram vistos removendo cabos, iluminação e uma torre de observação neste sábado.
A porta-voz do Ministério da Defesa de Israel, Rachel Niedak-Ashkenazi, disse que se trata de uma coincidência e que a data do início da destruição já havia sido planejada há seis meses, enquanto uma série de muros e cercas era construída na região, junto à fronteira da Cisjordânia com Israel.
``Nesta semana a cerca mais a leste será derrubada,'' disse, acrescentando que a barreira no local ficará posicionada junto à fronteira de Israel antes da captura da Cisjordânia e da Faixa de Gaza na guerra de 1967.
O ministro palestino do Exterior, Nabil Shaath, afirmou: ``O trabalho intenso que estamos fazendo começa a pressionar (Israel). Esse trabalho deve prosseguir até que toda a barreira seja removida.''
A cerca, planejada para ter 728 quilômetros, a maioria ainda não construída, tem sido criticada internacionalmente como um plano para penetrar ainda mais na Cisjordânia e cercar os assentamentos judaicos em vez de acompanhar a fronteira estabelecida até 1967.
O líder Conselho Nacional de Segurança Israelense, Giora Eiland, responsável pela elaboração dos planos do primeiro-ministro Ariel Sharon para a remoção unilateral de alguns assentamentos na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, disse que é contra a instalação da barreira na fronteira de 1967.
``Se (a barreira) for colocada na fronteira de 1967, ela vai ganhar um significado político, que é exatamente o que o outro lado deseja'', Eiland disse ao Canal 2, de Israel. ``Há ainda razões de segurança evidentes.''
Israel diz que o objetivo da cerca é impedir a infiltração de homens-bomba palestinos a partir da Cisjordânia. Palestinos afirmam que é a posse do território onde desejam fundar seu Estado. O preço para a demolição da barreira a leste das vilas palestinas de Baka al-Sharqiya e Zeita foi fixado em 8 milhões de dólares.