Os críticos do plano de Ariel Sharon para retirar os assentamentos judeus da Faixa de Gaza espalharam pregos e óleo em uma importante estrada nesta quarta-feira, emaranhando o tráfego e aumentando os temores de uma campanha de sabotagem, cujo objetivo seria suspender a desocupação de Gaza, prevista para começar em agosto.
Uma autoridade policial disse que vários judeus nacionalistas foram presos para evitar ataques contra obras públicas.
- Temos informações, verificadas nos últimos dias, após realizarmos as prisões, de que há intenção de cometer ataques contra a infra-estrutura, o que é um assunto muito perigoso - disse Yaacov Peleg, chefe de inteligência da polícia israelense, à Rádio do Exército.
Ativistas contrários à desocupação de Gaza se preparavam para parar o trânsito na hora do "rush" vespertino em vários lugares de Israel. Num ato de vandalismo aparentemente relacionado, pregos foram espalhados por uma rodovia na hora de maior movimento matutino, furando os pneus de 20 carros.
O primeiro-ministro Ariel Sharon prometeu nesta terça-feira combater a "selvageria" dos ultranacionalistas contrários à desocupação, apontada por muitos como um importante passo no sentido de retomar o processo de paz com os palestinos.
Os direitistas vêem no plano de Sharon uma traição das reivindicações dos judeus sobre estas terras bíblicas e um incentivo à violência palestina.
Representantes dos colonos judeus a serem retirados dos 21 assentamentos da Faixa de Gaza e de 4 dos 120 da Cisjordânia pediram que só haja manifestações pacíficas.
- É claro que nos opomos a todos os tipos de violência - disse Emily Amrusy, porta-voz do conselho Yesha, que reúne os colonos. Ela disse que os pregos deixados na estrada próxima ao aeroporto internacional de Israel são "uma expressão de frustração" de ultranacionalistas que agem por conta própria.
As autoridades israelenses ampliaram a repressão preventiva aos judeus direitistas, às vezes prendendo-os sem mandado judicial, com base em leis de emergência criticadas por entidades de direitos civis.
Mas o governo contesta tal preocupação, dizendo que alguns ativistas poderiam recorrer à violência e até tentar matar Sharon, que já recebeu várias ameaças.
- Vamos realizar prisões preventivas sempre que necessário. Não há um só caso de prisão preventiva que tenha sido realizada sem justa causa - disse o ministro da Segurança Interna, Gideon Ezra, à Rádio Israel.