Israel vai ampliar o corredor sob seu controle na fronteira entre a Faixa de Gaza e o Egito, e para isso terá de demolir dezenas ou até centenas de casas palestinas na região. Segundo testemunhas, escavadeiras começaram as demolições no campo de refugiados de Rafah já nesta sexta-feira. Elas contaram que 10 casas já haviam sido retiradas e que moradores corriam para tentar salvar seus pertences antes de fugir.
O plano parece ter por objetivo agradar aos críticos que dizem que o Exército deixou suas forças vulneráveis na zona de fronteira (que tem nove quilômetros), onde militantes mataram na última quarta-feira, em uma segunda emboscada, cinco soldados israelenses.
Diante de mais essa onda de violência, as pesquisas mostram que cresce o apoio popular ao plano do primeiro-ministro Ariel Sharon para desocupar Gaza, apesar de esse plano ter sido rejeitado pelos radicais de direita do próprio partido governista, o Likud.
"É uma medida para oferecer melhor proteção aos blindados e aos soldados, e para dar nova forma ao teatro de guerra, para termos uma vantagem, e não os palestinos", disse uma autoridade israelense.
O ministro palestino Saeb Erekat declarou que o plano é uma "total contradição" com a proposta de desocupação feita por Sharon. A idéia original do primeiro-ministro previa uma possível ampliação temporária do corredor, cuja desocupação dependeria "da situação de segurança e da extensão da cooperação com o Egito no estabelecimento de um arranjo alternativo confiável".
Militantes cometem ataques quase diários contra as posições israelenses fortificadas e soldados na área junto a Rafah, onde o Exército já demoliu centenas de casas em busca de túneis usados para o contrabando de armas.
No amanhecer desta sexta-feira, soldados mataram um palestino que estaria tentando instalar explosivos perto do assentamento judaico de Rafiah Yam, no sul de Gaza.
As emboscadas palestinas estão aumentando as diferenças entre a maioria dos israelenses, que consideram Gaza um ônus a ser abandonado, e os radicais conservadores, que vêem a eventual desocupação como "um prêmio ao terrorismo palestino".
Pesquisa no jornal Yedioth Ahronoth mostrou que o apoio à desocupação unilateral é de 71 por cento, nove pontos a mais do que o registrado antes das duas emboscadas em Gaza, onde 7.500 judeus vivem em assentamentos, junto a mais de 1,3 milhão de palestinos.
Outro jornal, o Maariv, mostrou que 79 por cento dos israelenses querem a desocupação de Gaza, seja de forma unilateral ou como parte de um acordo com "uma autoridade (palestina) responsável".
O Partido Trabalhista (de centro-esquerda) e outros grupos planejam fazer no sábado uma manifestação na praça Rabin, em Tel Aviv, para pedir que Sharon desocupe os assentamentos da Faixa de Gaza e, talvez, alguns da Cisjordânia.
Os organizadores esperam o comparecimento de pelo menos 100 mil pessoas, o que superaria o número de filiados do Likud que votaram contra o plano em um referendo interno, há duas semanas.