Rio de Janeiro, 23 de Setembro de 2026

Israel suspende entrega de restos mortais de militantes à Autoridade Palestina

Terça, 05 de Julho de 2011 às 05:22, por: CdB

Muitos dos corpos que seriam devolvidos pertencem a autores de atentados suicidas em Israel

O ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, anunciou nesta terça-feira a suspensão da transferência dos restos mortais de 84 militantes, que havia sido acordada com a Autoridade Palestina, argumentando que os corpos poderiam ser moeda de troca pelo soldado israelense Gilad Shalit.

De acordo com Barak, o Ministério da Defesa irá "reavaliar se a entrega dos corpos pode prejudicar a negociação sobre Gilad Shalit", sequestrado por militantes palestinos na Faixa de Gaza há cinco anos.

Barak também disse que "daqui a pouco não haverá o que entregar", em referência ao estado dos corpos, que se encontram enterrados há vários anos.

"Devemos verificar quem são os que entregaremos e talvez não transferir parte deles", acrescentou o ministro.

Negociação

A transferência dos restos mortais, que estava programada para os próximos dias, tinha sido resultado de uma longa negociação entre oficiais israelenses e a Autoridade Palestina.

O ministro palestino Hussein El Sheikh, responsável por assuntos civis, disse que ficou surpreso com a decisão de Barak e afirmou que toda a negociação sobre a entrega dos corpos fora realizada com o ministério da Defesa de Israel, que é dirigido pelo próprio Barak.

"Como israelense e como judeu, me sinto desconfortável todas as vezes que Israel negocia com corpos."

Yacov Amidror, chefe do setor de Segurança Nacional de Israel

El Sheikh também afirmou ter recebido do ministério israelense uma lista detalhada dos corpos que seriam transferidos, incluindo os nomes dos mortos, datas de nascimento e locais onde estão enterrados.

A lista, que foi publicada tanto pela imprensa israelense como pela palestina, inclui dezenas de autores de atentados suicidas que mataram, no total, centenas de civis israelenses, principalmente entre os anos 2000 e 2004.

As informações de que Israel iria entregar os restos mortais geraram protestos por parte de parentes de vítimas dos atentados.

"Penso que Barak cedeu à pressão do público israelense", afirmou o ministro palestino.

"Mas esta não é a primeira vez que o governo israelense não cumpre acordos", completou El Sheikh.

'Boa vontade'

Gilad Shalit foi capturado pelo Hamas há 5 anos

Amos Gilad, chefe do departamento de Segurança e Diplomacia do ministério da Defesa de Israel, havia confirmado o acordo de entrega dos restos mortais à Autoridade Palestina argumentando que tratava-se de um "gesto de boa vontade" de Israel para com o presidente palestino, Mahmoud Abbas.

No entanto, Yacov Amidror, chefe do setor de Segurança Nacional no gabinete do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu, afirmou que a troca havia sido aprovada "em princípio", mas não "de fato".

"Como israelense e como judeu me sinto desconfortável todas as vezes que Israel negocia com corpos, mas infelizmente vivemos em uma região em que restos mortais são moeda de troca", disse Amidror à radio estatal Kol Israel.

Fontes do Ministério da Defesa disseram ao site Ynet que "ocorreu um mal entendido constrangedor" e que a maneira como a decisão foi tomada deverá ser examinada.

O ministro palestino El Sheikh insiste que "o nome de Gilad Shalit não foi mencionado em nenhum momento das negociações sobre a transferência dos corpos".

El Sheikh também afirmou que a Autoridade Palestina não tem controle sobre o destino de Shalit, que se encontra em um cativeiro do Hamas, na Faixa de Gaza.

Noam Shalit, pai do soldado capturado, disse nesta terça-feira que a discussão sobre a entrega dos restos mortais "não acrescenta respeitabilidade para Israel" e reiterou sua exigência de que governo "pague o preço" que o Hamas está exigindo e liberte seu filho.

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