O governo israelense ordenou nesta quinta-feira que colonos judeus deixem nove acampamentos na Cisjordânia. Fontes políticas consideram a medida um gesto calculado do primeiro-ministro Ariel Sharon antes de sua visita aos Estados Unidos.
Os colonos prometeram apelar na corte mais alta de Israel para tentar bloquear qualquer tentativa de retirá-los dos acampamentos não-autorizados. As áreas estão há muito tempo marcadas para remoção sob o plano de paz para a região apoiado pelos norte-americanos.
Enviados dos EUA deverão ir a Israel na próxima semana para debater a proposta de Sharon sobre medidas unilaterais que incluem o desmantelamento da maior parte dos assentamentos judaicos da Faixa de Gaza, caso o plano de paz continue paralisado.
Um porta-voz do gabinete de Sharon disse nesta quinta-feira que nove postos erguidos sem aprovação do governo poderão ser removidos ``a qualquer momento'', já que os colonos não conseguiram reverter uma ordem de despejo.
Os palestinos estão céticos em relação à retirada. ``Estamos acostumados a anúncios dos israelenses que nunca acontecem'', afirmou o ministro palestino Ghassan al-Khatib. A maioria dos países considera os assentamentos na Cisjordânia e na Faixa de Gaza ilegais, mas Israel contesta esta posição.
Cerca de 7.500 colonos vivem na Faixa de Gaza, que abriga 1,3 milhão de palestinos. Na Cisjordânia, há 230 mil colonos, em meio a uma população de mais de dois milhões de palestinos.
Israel está em alerta para não desagradar os Estados Unidos, seu principal aliado político e financeiro. Os EUA já manifestaram insatisfação com a expansão dos assentamentos e com a construção de uma enorme barreira na Cisjordânia.