O gabinete de Israel rejeitou neste domingo proposta de adiar por três meses o início da retirada da Faixa de Gaza, estabelecendo o palco para a disputa entre o primeiro-ministro Ariel Sharon e seu principal rival político, Benjamin Netanyahu.
A tentantiva de forçar Sharon a adiar a retirada, marcada para meados de agosto, foi mais uma indicação da oposição que ele enfrenta em seu partido de direita, o Likud, ao plano que lidera e um sinal de disputa interna pelo comando partidário.
O gabinete votou por 18 a 3 contra a proposta do ministro da Agricultura, Yisrael Katz, de 3 meses de adiamento.
Netanyahu, ex primeiro-ministro que está agora na pasta das Finanças, apoiou Katz, que afirma ser necessário mais tempo para completar os preparativos.
A vitória de Sharon, que tem apoio de seu principal parceiro de coalizão, o Partido Trabalhista, de Shimon Peres, já era esperada. O parlamento votará o tema na quarta-feira.
- Qualquer adiamento é perigoso - disse Sharon, segundo um membro do governo, ao gabinete.
Antes da votação no parlamento, a disputa entre Sharon e Netanyahu deverá crescer. O ministro das Finanças, segundo um assessor, não pretende participar da sessão legislativa de quarta-feira.
Sharon deu sinais de que pode entender a ausência do rival como um voto contra o governo, o que em Israel pode levar à demissão de um membro do gabinete.
Mas isso dividiria ainda mais o Likud e, segundo comentaristas políticos, poderia levar o país a uma crise econômica.
Em 2003, Netanyahu iniciou série de reformas, como o corte de impostos e de gastos do governo, além de privatizações de estatais, na tentativa de abrir a economia israelense, altamente controlada.
Sharon pretende começar a retirar os 21 assentamentos judaicos da Gaza ocupada e quatro dos 120 da Cisjordânia em meados de agosto. Os oponentes dizem que o movimento é um prêmio para os militante palestinos que lideram o levante iniciado em 2000.