Israel lançou diversos ataques com mísseis em Gaza nesta segunda-feira, em represália a disparos de foguetes palestinos. Neste mesmo dia, o primeiro-ministro Ariel Sharon passa por um desafio à sua liderança no partido Likud.
O Comitê Central do Likud começou a votar uma moção apresentada pelo rival de Sharon Benjamin Netanyahu pedindo a antecipação da eleição primária do partido para novembro. A iniciativa é em protesto contra a remoção de soldados e colonos de Gaza neste mês, depois de 38 anos de ocupação.
Uma série de disparos de foguetes no fim de semana atingiu Israel e parece ter fortalecido Netanyahu, que argumentava que a saída de Gaza incentivaria mais violência. A resposta dura de Sharon pode ser uma ajuda de última hora à sua popularidade.
As pesquisas mais recentes mostram o apoio a Netanyahu no Likud subindo para 50,7%, contra 42,3%. Somente 6,9% continuam indecisos, o que não é suficiente para mudar o resultado a favor de Sharon. Pesquisas anteriores indicavam números parecidos demais para determinar quem sairá vencedor.
Assessores de Sharon disseram que ele pode deixar o Likud e formar uma novo bloco de centro se perder a eleição desta segunda-feira, classificada por ele como obra de "extremistas radicais". A maioria dos israelenses apoiou a retirada de Gaza.
A antecipação das primárias provavelmente provocaria a antecipação também da eleição geral para fevereiro. O pleito está programado para novembro de 2006.
A votação do Comitê Central deve terminar por volta das 16h (horário de Brasília), e os resultados sairão horas depois.
Em discurso ao Likud neste domingo, Sharon deveria dizer que a votação "determinará se o Likud será apoiado pelo consenso nacional ou será extremista", mas seu microfone falhou e ele deixou a convenção.
A pior onda de violência desde que Israel completou a retirada de Gaza, em 12 de setembro, prejudicou uma frágil trégua de sete meses.
Na manhã desta segunda-feira, aeronaves israelenses atacaram pelo menos cinco prédios que o Exército afirmou serem usados pelo Hamas e por outros grupos de Gaza para fabricar ou armazenar armas. Uma mulher ficou levemente ferida.
Um caça também disparou dois foguetes em um campo aberto no norte de Gaza. O Exército disse que foi um ataque preventivo contra militantes que se posicionavam para disparar foguetes.
As tropas prenderam 90 membros do Hamas e da Jihad Islâmica na Cisjordânia. No final de semana, operações israelenses já haviam detido 200 pessoas.
O Hamas pediu no final deste dpmingo o fim dos ataques com foguetes. O grupo afirmou que essas ações eram uma vingança pela morte de 16 pessoas em uma explosão durante um comício.
Uma autoridade palestina disse que o Hamas suspendeu os ataques depois de um telefonema furioso de Mahmoud Abbas para Khaled Meshaal, líder do grupo exilado, e depois de advertências do Egito.