Israel, pressionado para se livrar de suas armas nucleares, disse temer que o Irã obtenha esse tipo de armamento e o use contra o Estado judaico, afirmou nesta quarta-feira o chefe da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Mohamed ElBaradei.
"Eles (os israelenses) estão preocupados com o Irã", afirmou ElBaradei, em visita ao território israelense. O chefe da AIEA, uma agência da Organização das Nações Unidas (ONU), reuniu-se com o diretor da comissão de energia nuclear de Israel e com outras autoridades do país.
ElBaradei realiza uma visita de três dias ao Estado judaico, que não admite nem nega possuir armas nucleares. Especialistas internacionais acreditam que Israel tenha entre 100 e 200 ogivas nucleares.
O chefe da AIEA afirmou que seu esforço para livrar o Oriente Médio das armas nucleares encontrou como obstáculo a preocupação de Israel com as ambições nucleares do Irã e com a hostilidade de alguns países da região em relação ao Estado judaico.
"A maior parte dos países do Oriente Médio acha que há um desequilíbrio militar na região", afirmou ElBaradei, assumindo que Israel possui armas nucleares e os outros países do Oriente Médio, não. "Os israelenses, por outro lado, estão dizendo que não podem nem discutir esse desequilíbrio porque não podem baixar sua guarda enquanto não houver uma paz ampla e enquanto o país não for completamente aceito como parte da região", disse.
O chefe da AIEA afirmou buscar um acordo permitindo que os israelenses e seus vizinhos muçulmanos e árabes trabalhem em torno de um acerto realista para a área de segurança.
O Irã, que, ao contrário de Israel, assinou o Tratado de Não-Proliferação Nuclear (NPT), diz desenvolver a tecnologia nuclear com o intuito único de produzir energia. Mas Israel e os EUA acusam o governo iraniano de tentar obter armas nucleares.
Nesta quinta-feira, ElBaradei reúne-se com o primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, e com o chanceler do país, Silvam Shalom.