Rio de Janeiro, 03 de Abril de 2026

Israel realiza ofensiva terrestre contra o Líbano

Quinta, 27 de Julho de 2006 às 07:29, por: CdB

Israel atacou o sul do Líbano com bombas e disparos de artilharia, nesta quinta-feira, dia em que meios de comunicação israelenses disseram que o gabinete do premiê do Estado judaico, Ehud Olmert, preferia investidas aéreas mais violentas contra o Hezbollah a uma grande ofensiva terrestre.

Corpos podiam ser vistos espalhados pelas ruas de alguns vilarejos isolados da área de fronteira, onde os combates têm impedido a fuga de civis aterrorizados, disse o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (ICRC).

Israel lançou sua onda mais recente de bombardeios contra o sul libanês um dia depois de nove soldados do país terem sido mortos em um choque com o Hezbollah. Esse é o maior número de baixas sofrido pelos israelenses em um único dia desde o início da ofensiva, 16 dias atrás.

- Os ministros (de governo) desejam intensificar os ataques aéreos e limitar as operações terrestres - disseram meios de comunicação de Israel depois de o gabinete interno de Olmert ter se reunido para avaliar a resposta às baixas.

As forças israelenses tentam empurrar o Hezbollah para longe da fronteira, colocando fim aos lançamentos de foguete realizados pelo grupo desde que capturou dois militares do Estado judaico, no dia 12 de julho. Mas Israel não deseja envolver-se em choques diretos com a guerrilha, no sul do Líbano.

Os Estados Unidos, ao recusarem o apelo internacional por um cessar-fogo imediato e ao impedirem o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) de fazê-lo, deram luz verde para que o Estado judaico continue com a investida contra o Líbano.

A secretária norte-americana de Estado, Condoleezza Rice, avisou o Irã e a Síria, aliados do Hezbollah, de que poderiam ficar ainda mais isolados se tentarem "torpedear" os esforços dos EUA para colocar fim aos conflitos nos termos israelenses.

- Essa questão deve ser resolvida entre o Líbano e Israel - afirmou, saindo de Roma em direção à Malásia, onde deve se reunir com ministros de países asiáticos.

Ao menos 433 pessoas, a grande maioria delas civis, foram mortas no Líbano, palco agora de uma crise humanitária. Nos conflitos também morreram 51 israelenses, entre os quais 18 civis.
Segundo o ICRC, um de seus delegados, que visitou Blida, vilarejo localizado perto da cidade de Bint Jbeil, encontrou cerca de 700 pessoas, entre as quais 300 crianças, abrigadas em uma mesquita.

Condições desumanas

Os moradores de vilarejos do sul do Líbano vêem seus estoques de água, comida e remédio se esgotarem. Na região há pessoas abrigadas em escolas e muitos pacientes em hospitais.

- Como as pessoas têm medo de sair, devido aos bombardeios, os corpos não foram tirados das ruas e alguns continuam sob os destroços - afirmou o ICRC.

Aviões israelenses destruíram antenas de rádio em Beirute na quinta-feira, e atacaram três caminhões que carregavam remédios e comida para o leste, disseram membros da área de segurança. Os motoristas dos caminhões teriam sido mortos. O Estado judaico acusa a Síria de fornecer armas ao Hezbollah. O governo sírio nega.

Um outro avião de Israel atingiu alvos no sul libanês, majoritariamente xiita, enquanto canhões de artilharia disparavam a partir do território israelense.

Dezenas de foguetes foram lançadas pelo Hezbollah contra o norte de Israel, ferindo ao menos uma pessoa, disseram serviços de emergência do país.

O grupo guerrilheiro matou nove soldados israelenses em batalhas travadas em Bint Jbeil e no vilarejo próximo de Maroun al-Ras na quarta-feira. Segundo um militar do Estado judaico, várias dezenas de combatentes do Hezbollah tinham sido mortos nas últimas 24 horas.

Os conflitos no Líbano deixaram em um segundo plano os combates travados na Faixa de Gaza. Um disparo de artilharia realizado por Israel matou uma senhora de 75 anos, dentro da casa dela, na Faixa de Gaza, um dia depois de 24 palestinos terem sido mortos em co

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